segunda-feira, 23 fevereiro, 2026
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Moro quer penas maiores para a corrupção

Edson Campagnolo, Sergio Moro e José Lúcio Glomb
Edson Campagnolo, Sergio Moro e José Lúcio Glomb

“Simples, dono de timidez visível”, eis como José Lucio Glomb, presidente do Instituto dos Advogados do Paraná (IAP), classifica parte do perfil do juiz Sergio Moro, olhar registrado a partir do momento em que o magistrado da Lava Jato chegou ao SESC da Esquina, na quarta-feira, para sua conferência sobre lavagem de dinheiro.

“Ele não se abalou, mas a timidez era evidente diante de 400 pessoas que o aplaudiam fortemente na sua chegada”, completou Glomb para a coluna.

Os aplausos intensos foram de quase 5 minutos.

Glomb, ex-presidente da OAB-PR, está acostumado a participar de eventos como aquele do dia 29, em que predominaram advogados e muitos empresários de diversas áreas. Mas se impressionou com a forte ênfase que o juiz colocou: disse que a Lava Jato é, em muitos aspectos, semelhante a Operação ‘Mãos Limpas’, dos anos 1980, na Itália, que declarou guerra à Máfia e congêneres. No entanto, ressalvou:

– Aqui no Brasil, se comparada com a “Mãos Limpas”, não aconteceu nada… – declarou Moro, fazendo paralelo entre as prisões preventivas que a justiça de Itália decretou e as que ele determinou.

Com as “Mãos Limpas” foram 800 prisões preventivas, esclareceu Moro, numa das partes mais preciosas de sua fala de uma hora sobre a lavagem de dinheiro. Tal como previsto, ele não analisou o andamento da Lava Jato.

Na operação que decide, Moro não decretou nem 10% de prisões comparadas com as da Itália. Nada comparada com as decisões italianas.

2 – TRANSPARÊNCIA

Moro por alguns momentos fez insights em psicologia social. Disse, por exemplo, considerar a corrupção como componente do ethos de boa parte dos seres humanos. Fixou-se, a seguir, nas avaliações internacionais da Transparência Mundial, que colocam o Brasil em 67 lugar em plano mundial, entre os países transparentes. Referiu-se ao Chile e Uruguai, como exemplos nas Américas de boas posições em transparência.

O presidente do IAP, Lucio Glomb fez interferência oportuníssima: lembrou que os países nórdicos são campeões da transparência, alguns com leis que existem desde o século 18.

A ampla fala de Moro ensejou observação do mesmo Glomb, na ocasião, reclamando o porquê da regulamentação da Lei da Transparência, em 2012, ter excluído as empresas públicas, hoje, em parte, grandes focos de corrupção.

3 – PENAS MAIORES

Moro não joga ‘soft” quando o tema é corrupção, especialmente a encravada no Estado brasileiro. Deu ênfase a projeto de alteração do processo penal, de que ele é um dos autores com outros juízes ligados à Associação dos Juízes Federais do Brasil.

A prescrição das penas é uma das chaves para a sobrevivência da corrupção, admitiu Moro. Por isso, o projeto dele e seus colegas prevê encurtar os caminhos da procrastinação judicial, a aplicação de penas mais fortes para os corruptos e, também, o começo de execução das penas a partir de decisões de segundo grau.

Muitos personagens da vida empresarial do Estado foram à conferência, como o presidente da FIEP, Edson Campagnolo.

E, em nome do chamado G-Sete – que reúne as mais expressivas entidades empresariais do Estado – foi lida pelo jornalista Carlos Marassi mensagem de apoio a Sergio Moro e à Operação Lava Jato.

O auditório prorrompeu em palmas, em pé, dando aval ao documento e manifestando apoio à luta do juiz.

Ninguém duvide: foi uma noite rara na história do Direito e da Justiça no Brasil.

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