

Um dia, o governo Jaime Lerner mandou ergueu cercas na Praça Nossa Senhora da Salete. O propósito era impedir novos acampamentos do MST no local – os sem-terra já haviam permanecido por mais de um ano. A esquerda estrilou.
Um dia, e esse dia foi anteontem, a promotoria de Proteção ao Meio Ambiente do Ministério Público do Paraná, cujos membros adoram fazer selfies em protestos de movimentos sociais (é de ruborizar), resolveu cercar a Praça da Espanha, ainda que, como escreveu em versos Castro Alves, “a praça é do povo como o céu é do condor”. A população estrilou.
VANDALISMO E DEVASTAÇÃO DO MEIO AMBIENTE
O motivo é banal: há reclamações de poluição sonora e de perturbação de sossego, afinal trata-se de região de bares em zona central da cidade.
Mas o MP julga que a associação de bares e praça leva, consequentemente, ao uso de drogas, ao vandalismo e à devastação da natureza no local – no caso a graminha regada por necessidades fisiológicas mais prementes.
SE VOCÊ NÃO PODE COM ELE, ISOLE-O
A solução encontrada pelo Ministério Público é simplória (o que significa que vai além de banal): erguer uma cerca no entorno e mantê-la fechada, a quem quer que seja no horário das 23h às 7h da manhã. A mensagem é clara, claríssima: se o poder público não pode resolver os problemas, ora, isole-os. O Ministério Público, aliás, tem lá sua grade defensora. São do tempo em que a ameaça do MST, movimento social, sim senhor, era uma realidade. Mas ficou. O Tribunal de Justiça também tem a sua. A Assembleia Legislativa idem. O que temem? Certamente não que lhes façam necessidades no vasinho.
SOB A MESMA BANDEIRA
Erguer grades é segmentar, ainda que sob o manto da proteção do patrimônio público. A essa hora, um certo norte-americano chamado Donald Trump defende a mesma bandeira: cercar, erguer muros, impor uma fronteira física. Afinal, impedir imigrantes de invadir o solo americano com seus vícios, suas drogas e sua cultura significa proteger o sagrado patrimônio público. Ou assim pensa Trump.
DISPOSTOS A CERCAR
O Ministério Público é público, mas antes ele é daqueles que se dizem seus representantes. São eles que tornam inacessível a informação em um portal que deveria ser da transparência.
