sexta-feira, 1 maio, 2026
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“Milagre” político no discurso de saudação a livro de Dely

O reencontro de velhos amigos dos tempos de Londrina em um encontro mais amplo com centenas de pessoas. Nilson Monteiro entre eles.
O reencontro de velhos amigos dos tempos de Londrina em um encontro mais amplo com centenas de pessoas. Nilson Monteiro entre eles.

As pessoas mais próximas de Rafael Delly sabem que ele sequer cumprimentava Rafael Waldomiro Greca de Macedo nos seus últimos anos de vida. E que as disputas entre eles não foram poucas; em muitas delas Dely levando a pior, apesar do seu exuberante talento, honestidade em todos os planos, e enorme capacidade criativa em matéria de Curitiba. Conhecia a cidade no mesmo nível que Jaime Lerner, tendo sido parte do tripé que, na equipe de JL, fez a revolução urbana a partir de 1971. Desse tripé faziam parte também Nicolau Kluppel e Ceneviva. Cassio Taniguchi era essencial da equipe, mas concentrado especialmente nas questões operacionais.

Dely era um PhD em Urbanismo, e foi com certeza a mais cintilante presença na equipe de Jaime Lerner, de quem era amigo, irmão (com direito a muitas brigas, como em qualquer fraternidade) e conselheiro prudente.

SURPRESA: DISCURSO

No entanto, na noite de segunda, 23, nas Livrarias Curitiba, deu-se o “milagre” que só os palanques políticos fazem: o discurso abrindo a noite do lançamento do livro “Fazimento de uma Cidade, Curitiba”, foi do prefeito Greca de Macedo. Com todas as expressões de dita ‘amizade’ e reconhecimento à obra de Dely, autor do livro, junto com o jornalista Marcelo Oikawa.

AS FILHAS

As filhas de Dely – Julia e Paula -, e a ex-mulher, Lídia, estiveram lá. Assim como o secretário da Cultura do Estado representou o governador Beto Richa.

Velhos amigos como Nilson Monteiro (por anos braço direito de Dely na Cohapar), Luiz Eduardo Veiga Lopes (ex-diretor de Itaipu e que chefiou também o gabinete de Dely na mesma Cohapar), Reinhold Stephanes, Ilana Lerner (representando o pai, Jaime Lerner), Mônica Rischbieter, o deputado federal Rubens Bueno, Carlos Eduardo Ceneviva, dezenas de ex-colaboradores e amigos dos dois autores. Apareceu gente de Londrina para o lançamento, homenagem a Oikawa.

NÓS SABEMOS

Muita gente prestigiou o lançamento do livro “O Fazimento de uma cidade, Curitiba”, do jornalista Marcelo Oikawa.
Muita gente prestigiou o lançamento do livro “O Fazimento de uma cidade, Curitiba”, do jornalista Marcelo Oikawa.

Jaime Lerner, Veiga Lopes, eu, David Campos, Celso Nascimento, Eduardo Sganzerla, Carlos Eduardo Ceneviva, o filho de Dely, Alex, fomos das inúmeras testemunhas que presenciaram esse “desconhecimento” que o criador do Trinário do sistema viário votava ao atual prefeito.

Há mesmo aquela história do total gelo que explicitamente Rafael Dely votou a Greca, durante voo a Brasília. Foi testemunhado, com constrangimento, por muita gente, como um jornalista acima de qualquer suspeita, cujo nome omito, a pedido, mas sei que passou pela assessoria da presidência de RD da Cohapar: Greca de Macedo (acompanhado do assessor Alexandre Teixeira), foi solenemente ignorado por Dely: “O hoje prefeito ficou com cara de tacho, mas Dely o desconheceu totalmente, diz minha fonte.”

E inúmeras outras geladas ocorreram.

Dely proclamava não perdoar traições.

MEMORIAL DE CURITIBA

No caso do Memorial, o livro “Fazimento de uma Cidade”, de Dely e Marcelo Oikawa, apresenta argumentos de Rafael Dely em favor do projeto que elaborara para o espaço. Um deles, muito consistente, o fato de o seu prever ampla área de estacionamento para os frequentadores, e que conseguia não interferir no exíguo espaço do setor Histórico.

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