
O ano de 2021 trouxe surpresas também muito tristes. Como as mortes de alguns nomes fortemente ligados à história do Paraná de hoje, como Michel Micheleto, e Ennio Marque Ferreira, dos quais tiver a honra de ser amigo. Ennio e Michel não estiveram distantes em suas áreas de atuação.
O primeiro foi o mais importante produtor cultural, com concentração especialmente em artes plásticas, que o Paraná já teve. Foi também artista plástico, de quem guardo alguns trabalhos, como desenhos de raras presenças. Discreto, um gentleman na acepção da palavra, Ennio se impôs no plano nacional, como fiador e garantidor de mostras de importância no país, como o Salão Paranaense. Assinei o prefácio de seu livro-inventário de vida, “Quartenta anos de feliz convivência com a arte”. Não foram poucas as mostras que Ennio atuou como curador, o que significava, de saída, ser o melhor aval para os artistas aos quais apresentava.
Foi diretor do antigo Departamento de Cultura do Paraná, sucedido pela Secretaria de Cultural do PR. Presidiu também a Fundação Cultural de Curitiba. Por onde passou deixou uma legado de ações de alta qualidade, e evidente preocupação com a Cultura Paranaense, que sempre enxergou muito além das realização de mostras e espetáculos. Morreu nonagenário no segundo semestre, morte seguida pela da sua fiel companheira, Heloisa de Sá e Silva Ferreira, dias depois.

Michel Micheleto, que foi personagem “in memoriam” em Vozes do Paraná, volume 12 – meu livro, lançado em novembro – era, como Ennio, um comunicador social por essência. Radialista e advogado, ele era um agregador, seu trabalho fundamental levado à Presidência da AERP – Associação da Emissoras de Rádio e TV do Paraná. Braço direito de Luiz Carlos Martins, era diretor da Rádio Banda B, emissora de larga penetração em Curitiba e em cidades do Norte do Paraná, hoje AM e FM. A história de Michel é a de um homem bem formado em grupos católicos da juventude em Jacarezinho. Depois, a formação universitária levou-o a liderar empresas na área administrativa, sempre com proficiência. Mas o que mais o alegrava mesmo era fazer rádio, levando mensagem de esperança a ouvintes que lhe eram fieis.
