Raul Urban – O novo ano começa com uma boa notícia vinda do presidente da Urbanização de Curitiba – URBS, Ogeny Pedro Maia Neto – notícia, aliás, dada ainda em 13 de outubro de 2025, alusiva ao retorno da linha Circular Centro, que atendia população regularmente desde setembro de 1981, mas deixou de operar com o advento da pandemia da Covid, em 2020. Pois bem: essa linha, segundo a fonte, emergiria das cinzas no segundo semestre deste ano, voltando a percorrer as principais vias do centro e agilizando deslocamentos de quem procura uma opção por deslocamentos rápidos.
Desde sua criação, a linha foi sempre servida por micro-ônibus brancos com capacidade, em média de 20 passageiros sentados em estofados instalados transversalmente – ou seja, em paralelo às janelas ao longo da carroceria -, diferenciando-se dos demais coletivos, em que os assentos são instalados com os usuários olhando para a frente. A criativa disposição desses “assentos”, em forma de rolos compridos (popularmente chamados de “bunduril”, porque permitiam apenas recostar o corpo na altura da janela, e não sentar convencionalmente, à época, partiu da cabeça criativa do já falecido arquiteto Lauro Tomisawa, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba – IPPUC.
Além de ainda não existir uma data oficial para o retorno dessa linha, como também uma ainda não definida tarifa, a promessa é de que o circuito voltará a ser atendido, desta vez, por micro-ônibus elétricos, adaptando-se às modernas diretrizes de política ambiental, evitando-se a poluição urbana decorrente de uso de combustíveis fósseis que ainda movem a maior parte da frota de coletivos – urbanos e rodoviários – que circulam no país.
Breve história

A linha começou a operar em 10 de setembro de 1981, permitindo ao usuário deixar o carro em casa e escapar dos engarrafamentos de trânsito nas ruas centrais percorridas pelo ônibus, em dois sentidos. O objetivo era dar ao passageiro uma opção de acesso a locais estratégicos, como centros comerciais e endereços de prestação de serviços, sem o risco da procura de vagas de estacionamento ou pagamento dos preços elevados nos estacionamentos particulares.
Então atendida por duas empresas de transporte, ambas somando sete coletivos, a linha funcionava ininterruptamente, de segunda a sexta-feira, das 6h30 às 19h30. No sentido horário, com frequência de 10 minutos e 30 minutos de viagem, o percurso totalizava 4.798 metros, a partir da Praça Santos Andrade (Travessa Alfredo Bufren), prosseguindo pelas ruas Amintas de Barros, Tibagi, Avenida 7 de Setembro, Rua Alferes Poli, Praça Ruy Barbosa, Rua Visconde de Nacar, Avenida Vicente Machado (ponto na Praça Osório), Alameda Cabral Rua Cruz Machado, Praça Tiradentes e Travessa Tobias de Macedo, retornando ao ponto inicial.
No sentido oposto, anti-horário, o circuito, com intervalo de oito minutos e 8.216 metros de extensão percorridos em 35 minutos, o ponto de partida era a Praça Dezenove de Dezembro, no fim da Rua Riachuelo. No roteiro, as ruas Inácio Lustosa e Trajano Reis – dando acesso ao Setor Histórico e come embarques e desembarques na Praça Garibaldi. Seguiam, depois, pela Alameda Doutor Muricy, dobrando à direita na Rua Cândido Lopes, com ponto defronte à Biblioteca Pública, e prosseguiam pelas ruas Doutor Carlos de Carvalho, Visconde de Nacar, Comendador Araújo. O roteiro seguia pela Rua Desembargador Motta, depois a pista lateral da Avenida 7 de Setembro, com várias paradas, incluindo as em frente à Praça Eufrásio Correia – onde está a antiga estação ferroviária.
Já na Avenida Presidente Affonso Camargo, o ponto estratégico ficava em frente à Estação Rodoferroviária e embaixo do Viaduto do Capanema. Ali, os micro-ônibus davam a volta e tomavam a pista lateral da Avenida Affonso Camargo, prosseguindo pela Rua Doutor Faivre, Avenida 7 de Setembro, Rua Mariano Torres até o encontro com a Rua Presidente Carlos Cavalcanti. Por essa via, os coletivos alcançavam a Rua Riachuelo, retornando ao ponto inicial.

*Raul Urban é jornalista, escritor, memorialista, pesquisador da memória histórica e ligado à área do transporte multimodal integrado e colaborador do Mural do Paraná.
