MEMÓRIA PARANAENSE
Em 1947, vence a primeira licitação na Prefeitura de Curitiba, a abertura da Rua Almirante Tamandaré, no que dá início a uma longa sequência de obras marcantes para a cidade

Seu Ricardo Pussoli – personalidade retratada em “Vozes do Paraná”, Volume 8, nasceu em Treviso (SC) em 25/09/1919, de família de imigrantes italianos Êrico (de Bergamo) e Rosa Perovano (Mestre). Vieram os pai dele, Luigi Possoli, ela Carlo Perovano, no mesmo navio em 1885, onde se conheceram; tiveram 11 filhos e desembarcaram no Porto de Tubarão (SC).
A colonizadora vendeu-lhe o último lote em Alto Rio Pio, um morro de 20 hectares. Lá se casaram em 1910. Ricardo é o sétimo filho, nasce numa casa de dois cômodos de chão batido e fechada por costaneiras de serraria (sobras,casca).
Conta o filho de Ricardo, o engenheiro Rafael Pussoli, que o fogão era uma forquilha no quintal e o banheiro no mato, papel higiênico era o sabugo de milho. Percorriam-se seis quilômetros a pé para ir a escolinha primária de Santa Cruz (existe até hoje, ele a restaurou em 1996).
FUGA PARA O RS
Aos treze anos, no domingo da sua Primeira Eucaristia, troca a camisolinha de remendo sobre remendo e o tamanco de madeira por um terninho e o primeiro sapato. À noite, furtando um pão de milho de Dona
Rosa (sua mãe ), foge para o RS com o primo Silvio Pagani e, numa saga de 16 dias, chega a Porto Alegre; o primo ,no oitavo dia, desiste e volta, ele não: Seu Ricardo queria ser Empresário, “alguém na vida!”, isso, claro, sem excluir outras atividades que igualmente dignificam o ser humano.
Entre 13 e 17 anos, trabalha como aprendiz de alfaiate e mascate e quando o Exército Brasileiro começa a construir a BR-2 (atual BR-116),consegue com o capitão Grubber um trecho que ninguém queria, era um peral de pedra entre Caxias e Galópoles, na Serra Gaúcha. Lá teve 90 mil conto de réis de despesas e 270 contos de réis de faturamento e iniciou sua vida de amor por obras complexas, difíceis e desafiadoras em
prazo e complexidade.
SOLDADO E COMANDANTE
Resolveu, na década da Grande Guerra, todas as demandas do quartel do 22 Batalhão de Caçadores. Era o soldado número 102, que comandava 600 outros soldados, por delegação expressa do coronel comandante do Batalhão. Da lá saiu levando diversas menções elogiosas nos boletins do dia(Ordem do Dia),do comandante.
NA CURITIBA-JOINVILLE
Deu baixa do Exército em 1945 e foi construir bueiros de pedra (granito), na serra que liga Curitiba à Joinville, para a SVOP-PR (Secretaria de Viação e Obras Públicas), para o Engenheiro Oswaldo Pacheco de Lacerda.
Em 1947, vence a primeira licitação na Prefeitura Municipal de Curitiba, a abertura da Rua Almirante Tamandaré, local da hoje Escola de Floresta até a Av. Visconde de Guarapuava, no que dá início a uma longa sequência de obras marcantes para a cidade.
MODERNIZADOR DA CIDADE
Dentre essas obras que o identificam profundamente com a modernidade de Curitiba, anotem-se: abertura da Rua Itupava; o edifício da Assembleia Legislativa, em 1951; a pavimentação em concreto da Av Cândido de Abreu, em 1952; a Exposição Internacional do Café, 1953; a Estação Rodoferroviária de Curitiba, que ele mesmo financiou para a Prefeitura, em 1969; o primeiro anexo da Câmara Municipal, 1974; o edifício sede da Procuradoria da Prefeitura de Curitiba (vendida ao TJ-PR, no ano passado), com 14 pavimentos,em 1975; a Estância Papa João XXIII (hoje CT do Cajú); a Rua de Cidadania da Praça Rui Barbosa, de Santa Felicidade e do Bairro Novo; a Sede do Conselho Regional de Medicina.
TERMINAIS URBANOS
O currículo de Ricardo Pussoli é enorme, e dele destacamos ainda: os terminais de transporte coletivos do Santa Cândida, Cabral, Campina do Siqueira, Santa Felicidade; e milhões de metros quadrados de asfalto em Curitiba, região metropolitana, Ponta Grossa e Lapa, além de inúmeras pontes, viadutos, trincheiras em Terra Armada, entregando antes dos prazos, com recordes e sem aditivos!
E mais: Ricardo Pussoli pavimentou o Parque Barigui, implantou os parques do Passaúna (1991), Tingui (1994) e Tanguá (1995), além do Bosque Chico Mendes, em 1989, para o então prefeito Jaime Lerner.
Ricardo Pussoli morreu com quase 93 anos, em 2012. Trabalhou diariamente até os 89 anos.
