domingo, 26 julho, 2026
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MEMÓRIA PARANAENSE: HENRIQUETA PENIDO GARCEZ DUARTE

Com a partida dela, empobrece-se especialmente a vida musical clássica de Curitiba, tendo deixado marcas definitivas na Escola de Música e Belas Artes do Paraná – EMBAP – da qual foi mestra dedicada e acatadíssima de muitas gerações

Dias atrás, soube,  por Maria Elisa Ferraz Paciornik, que Henriqueta Penido Garcez Duarte morrera, aos 94 anos. Com a partida dela, empobrece-se especialmente a vida musical clássica de Curitiba, tendo deixado marcas definitivas na Escola de Música e Belas Artes do Paraná – EMBAP – da qual foi mestra dedicada e acatadíssima de muitas gerações. Suas ações foram decisivas para o aprimoramento da platéia curitibana de música erudita.

Dona Henriqueta era  mulher de forte personalidade, e, ao mesmo tempo, grande simpatia. Com o marido – que morreu há 5 anos -, o engenheiro Eduardo Garcez Duarte, e o também professor da EMBAP, padre José Penalva (que no dia a dia lecionava Teologia Moral no Studium Theologicum), eles desenvolveram nos 1970/80 um fantástico trabalho à frente da Pró Música de Curitiba. Era associação de utilidade pública  voltada exclusivamente à promoção da música erudita. Trazia orquestras e notáveis concertistas
para espetáculos únicos em Curitiba. Nomes da melhor cena clássica mundial.

Nesse trabalho, faço justiça, outros curitibanos notáveis, como meu amigo Jayme Guelmann (in memoriam) também se envolveram. A Pró-Música chegou a superar a SCABI, entidade mais antiga, dos mesmo propósitos.

Padre José Penalva. Henriqueta Garcez Duarte na Oficina de Música de Curitiba , em 1985. Foto: Acervo – Casa da Memória

O trabalho do casal Garcez Duarte e do sacerdote, e depois de outros lutadores, como Aristides Severo Athayde, incluía passar o chapéu pelas classes média e alta em busca de recursos, entradas que acabaram não conseguindo acompanhar as elevações cambiais. Quase tudo na Pró Música era cotado em dólar, em termos de contratações.

Henriqueta era de origem mineira, da tradicional família Penido. Mas se tornou paranaense como poucos, embora uma cidadã do mundo, acostumada que era a apresentar-se como pianista fazendo concertos e palcos de várias nações.

Com a morte de Henriqueta encerra-se um ciclo de empreendimentos culturais – e de magistério da música – que foi único e valioso.

(AMGH)

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