
Por Geraldo Serathiuk (*)
Ao acessar a página do Fabio no Facebook vi esta mensagem: “Homenagens a Fabio. Esperamos que este possa ser um lugar para os amigos e familiares se lembrarem dele e o homenagearem”. Em razão disso escrevi este texto. Ao começar fiquei pensando em um título que lembrasse o cinema que ele tanto estudou.
Para ficar próximo lembrei do filme surrealista feito por Luis Buñel e Salvador Dalí, “O Cão Andaluz” e assim dei o título acima. Para quem conviveu com ele sabe de seu amor pelo Al Andaluz. Era um estudioso do período da ocupação moura na península ibérica que gerou grandes exemplos e transformações para a humanidade.
Falava com paixão da convivência pacífica entre judeus, católicos e islâmicos, da formação do Flamenco, das inovações tecnológicas com os canais para a irrigação agrícola, da medicina e dos pensadores islâmicos Averróis, Avicena e o filósofo judeu Maimônides, que levaram a filosofia grega ao encontro do pensamento cristão em Roma, o que foi descrito por seu venerado Jorge Luis Borges no texto “A Busca de Averróis”. E a exemplo, viveu a inquietação ao tentar decifrar e nos informar sobre a representação da tragédia e comédia no mundo.

Como também foi um aficionado pela ocupação espanhola nas Américas, representado pelo gosto por Octavio Paz e, como ele marxista rompeu com o dogmatismo, Cabeza de Vaca, sobre quem escreveu e na forma de viver dos gaúchos descritos em uma obra que indicava “Cavalos ao Amanhecer” de Mario Arregui.
Esta semana ainda eu e minha amada relembrávamos das andanças pela região do Al Andaluz, e de nossos diálogos com ele sobre as descobertas durante o percurso. Um roteiro montado, fruto de muitas conversas que tivemos sobre o tema durante a vida.
Quando voltamos, queria porque queria publicar um diário sobre nossas vivências pelas regiões mouras de Portugal e Espanha, pois tinha lido todos os nossos posts explicativos sobre a história de cada local, a exemplo do maravilhoso Arquivo Geral das Índias em Sevilha, onde existem documentos inéditos sobre a ocupação da América Latina. Falamos para ele que ainda precisávamos voltar para vivenciar outros aspectos da cultura Andaluz.
Entre os quais, a música religiosa La Saeta, na Semana Santa durante as procissões dramáticas do martírio de Jesus, também apreciar nas feiras e mercados um pouco mais da gastronomia que adoramos e assistir mais algumas apresentações de Flamenco nas bodegas que os moradores frequentam, as quais tanto amamos.
Não tenho dúvida que, quando estivermos lá algum dia novamente, relembraremos do seu amor pelo Al Andaluz, o que significará que o nosso amigo ainda vive. Lembrando do poeta Andaluz, assassinado de forma bárbara, Frederico Garcia Lorca, que ele admirava, e diz: “Quero dormir um pouco um minuto, um século porém que todos saibam que estou vivo”.
GERALDO SERATHIUK, advogado, amigo incondicional de Fábio Campana.