Estreio hoje no Portal Mural do Paraná, e aqui os sabores que contam histórias. Além de jornalista, sou chef de cozinha e a gastronomia sempre foi, para mim, uma forma de viajar sem sair da mesa, de compreender culturas e celebrar encontros.
Adoro receber amigos e minha família ao redor da mesa. Aqui vou te contar sobre minhas experiências em casa e nos restaurantes que me surpreendem e também dos pratos que chegam até a me emocionar, como a história da paella que te conto hoje. Dos chefs talentosos aos ambientes que podem transformar um simples jantar em memória afetiva. Vou compartilhar descobertas, impressões e, claro, aquela pitada de olhar crítico que valoriza técnica, atendimento e criatividade. Vou passar sempre a receita que eu já testei na minha cozinha, com direito ao “pulo do gato”…
Convido você a percorrer comigo esse roteiro de aromas, texturas e bons brindes. Afinal, comer bem é um prazer… e saber escolher faz toda a diferença.
Seja bem-vindo à minha mesa!
A Paella do Imperial

Eu vim morar em Curitiba muito pequena, e sempre ouvi falar da paella do Imperial como uma daquelas tradições do centro da capital paranaense. Afinal, um restaurante que existe desde 1966 tem essa vivência cultural que poucos lugares conseguem carregar por tanto tempo.
Quando provei, a primeira impressão foi: “olha issoooo… aí tem valor afetivo”. A receita original foi passada ao atual proprietário Sérgio Chueh, pelos antigos donos, e ele mantém esse poção mágica cuidada nos mínimos detalhes.
A paella é o tipo de prato que muita gente junta família e conhecidos para dividir. Mas, se eu fosse só pelo sabor, posso dizer que a textura e seleção dos ingredientes soam familiares, denunciando o cuidado caseiro do chef e isso tem seu charme. O arroz tem aquela caramelização típica de uma paella valenciana. Outro ponto que pesa a favor é a tradição: saber que o prato faz parte de um repertório gastronômico de seis décadas dá uma sensação de continuidade e pertencimento.
É importante dizer que a paella aqui não é uma opção do dia a dia no cardápio e requer encomenda antecipada.
Resumindo: a paella do Imperial tem coração e tradição, sem dúvida. É um prato que diz “isso é Curitiba” mais do que “isso é gastronomia espanhola” e isso, para mim, é a sua marca registrada.
Como eu não consegui a receita original (é secreta), vou passar a minha:
- xícaras de arroz sem lavar
- 300 g filés de camarões médios
- 200 g de camarões grandes inteiros (ou lagostins)
- 250 g de lulas em aneis
- 250 g de polvo
- 200 g de mexilhões (ou vôngoles ou vieiras)
- 300 g de peito de frango em cubos ou 8 coxinhas da asa (ou peixe, ou coelho, ou pato)
- 2 cebolas grandes
- 2 tomates
- 1 talo de alho-poró
- 1 pimentão vermelho para decoração
- 8 dentes de alho caldo de camarão (ou peixe)
- 1 envelope de tempero para paella
- 1 colher (sopa ) de açafrão (indispensável)
- 200 g de ervilhas frescas ou congeladas
- Salsinha, azeite e pimenta fresca a gosto
Como fazer
Tempere o frango e vá refogando em azeite. Reserve. Coloque as lulas e o polvo para cozinhar na panela de pressão por 5 minutos com meia cebola, um tomate, uma folha de louro, salsinha/salsão e um dente de alho. Reserve a água que solta dos ingredientes para o caldo do cozimento do arroz. Coloque os outros mariscos para grelhar com tempero para paella, meia cebola, 2 dentes de alho, um tomate, salsinha. Numa paellera refogue tiras de pimentão e rodelas de alho poró; retire esses ingredientes da panela e reserve para a finalização do prato. Nessa mesma panela acrescente bastante alho socado, refogue e acrescente cebola picadinha. Coloque o arroz e refogue com as cebolas e o alho refogados ligeiramente na paellera, acrescente o açafrão ao arroz.
Acrescente ao arroz o caldo da fervura aos poucos, mexendo sempre. Assim como se faz risoto. Quando estiver quase cozido o arroz, misture o frango, as lulas e o polvo cortados depois do cozimento, os demais mariscos (reservando os maiores para a ornamentação do prato) e parte das ervilhas. Ornamente com rodelas de alho-poró por cima, ervilhas, camarões inteiros grandes (ou lagostins), mariscos com conchas, tiras de pimentões coloridos, salsa e pimentas dedo-de-moça. Por fim, regue com azeite a gosto.

Mary Schaffer é jornalista, chef de cozinha e conhecedora da boa gastronomia. Com um olhar na técnica dos chefs, descobre sabores e apresentações. No Instagram, transita com naturalidade pelos melhores restaurantes e experiências à mesa.
