
No volume 7 de meu livro “Vozes do Paraná”, a ser lançado em 10 de setembro, na EBS Business School, dentre as personalidades paranaenses que retrato está o ex-governador Mário Pereira.
Leia, a seguir, trecho do perfil de Mário:
“Mário Pereira, 70, é daqueles poucos homens públicos que podem se gabar de ter deixado a política de livre e espontânea vontade. Não foi deixado por ela. Tendo se retirado da vida pública em 1998, continuou a ser procurado, com certa insistência, por seus pares, que o queriam continuasse no campo de batalha. No entanto, seu basta às pelejas partidárias e eleitorais foi definitivo. O que não significa que tenha “sido sem dores”, como diz. “Fiz então uma escolha bem clara pela iniciativa privada”, diz esse ex-governador do Paraná, engenheiro eletricista com especialidade em conservação de energia, que até o começo deste 2015 pertencia aos quadros da Inepar, onde atuou por 18 anos.
2 – MÃOS LIMPAS
Bem-humorado, o sotaque levemente catarinense de Florianópolis, embora os muitos anos de Paraná, e particularmente de Cascavel onde se projetou politicamente, Pereira faz blague:
– Agora estou fazendo aquilo contra o que lutei a vida toda: desfruto o ócio dos aposentados… O ócio com dignidade.
Mário não apenas rompeu com laços político-partidários: saiu da vida pública numa condição cada vez mais rara no Brasil – com as mãos completamente limpas. “Não me recordo de ele ter seu nome sequer envolvido em maledicências menores”, registra Celso Nascimento, um conhecido crítico de malfeitos na administração pública. E Celso é sabida referência, essencial quando se quer revolver a história política do Paraná dos últimos 50 anos.
3 – FUTURO VESTIBULANDO
Além da literatura técnica obrigatória, da qual jamais se desligou – até ampliou – desde a formatura em Engenharia, Mário não é de grandes incursões pela literatura.
Às vezes, foi capaz de encarar um romance. No mundo dos livros, a devoção do ex-governador é por temas da História, a do Brasil e a Universal. E as biografias. Assim, não me surpreendo quando ele revela seu mais recente plano, uma meta que encara “com a maior seriedade” – a de prestar vestibular e entrar num curso de História.
Mário tem momentos de sutil ironia, como, quando ainda falando de sua intenção de voltar à universidade, recorda:
– Muitas vezes me vi saboreando a frase de Fernando Henrique Cardoso, contemplando o político Ciro Gomes, ao qual disse “faltar método”.
Esse método para a leitura, para análise do fato, para a expressão da realidade e aprofundamento no mundo da História é o que Mário Pereira procurará no curso. Quer fazer bacharelado de História, “nada de Licenciatura, que é para quem vai lecionar”, justifica.
4 – O PANTEÃO DE MÁRIO
No panteão de grandes admirações de Mário Pereira lá lugares cativos para gente como o ex-ministro Euclides Scalco, Fernando Henrique Cardoso, Paulo Brossard, Leonel Brizola, Pedro Simon, José Richa (amigo que por vezes se hospedou na casa de Pereira, em Cascavel) e Ulysses Guimarães.
E ainda compõem a relação de admirações de Mário Pereira: Nelton Friedrich, Rafael de Almeida Magalhães, Jaime Lerner.”
