terça-feira, 14 julho, 2026
HomeMemorialMARIA TEREZA: “SEMPRE HAVERÁ LUGAR PARA TEXTO BOM E BEM ESCRITO”

MARIA TEREZA: “SEMPRE HAVERÁ LUGAR PARA TEXTO BOM E BEM ESCRITO”

Autora de “Não Tropece na Redação – Editora Bonijuris – tira dúvidas e ensina o bem falar e escrever em português. Acha que o mundo digital não vai abolir o texto de qualidade… São 377 os pontos que ela aborda no livro que, garante, será o último que escreve “nessa linha didática”.

Maria Tereza de Queiroz Piacentini

Em tempos de redes digitais e de um mundo a caminho de subordinar-se à Inteligência Artificial (IA) há lugar para tanto zelo gramatical quanto o seu?

RESPOSTA:

Ainda há. E sempre haverá lugar para um texto bom e correto. O problema é mais local, acredito, pois todos os livros que leio em inglês e francês primam por uma redação dentro das normas gramaticais. A linguagem falada é mais frouxa, evidentemente. Mas a minha preocupação é mesmo com a escrita.

 

SIMPLIFICAÇÃO

As tendências são de diminuição das chamadas dificuldades linguísticas. Na área oficial, caíram fora os inúmeros pronomes de tratamento reverenciais que vínhamos usando. Opine sobre o tema.

R – Exatamente, a tendência é a simplificação, tanto na oralidade (como o uso de “esse” em vez de “este” em qualquer situação, com o que não concordo) quanto na escrita. Foi neste sentido que se aboliu o uso de Vossa Excelência e outros tratamentos de deferência na administração pública federal. Não quer dizer que essas fórmulas deixarão de existir de imediato, mas ao longo das décadas a correspondência oficial em todos os setores deve passar a ser menos empolada – com o que concordo!

livro “Não tropece na redação”

PRAZO DOS MANUAIS

A chamada “evolução” da língua caminha célere para tornar obsoletos muitos manuais de redação e, mais, as gramáticas. Concorda?

R – Toda gramática vai se tornar obsoleta algum dia, visto que a língua falada – que precede a gramática -vai mudando. Por consequência os manuais de redação, que lidam sobretudo com as convenções da escrita, também deixarão de ser úteis em muitos pontos.

 

MUITOS LEITORES…

Quem, na sua opinião, precisa mais do que nunca de escrever um bom português, se poucos são os leitores?

Os jornalistas. Os leitores de livros (romances, ensaios etc.) são poucos, de fato, mas os leitores da mídia são muitos. Mesmo as pessoas de menor escolaridade leem diariamente no celular a previsão do tempo, as notícias em geral ou mesmo as fofocas da semana, não importa o que seja… E assim também estão aprendendo português. Então, que ao menos as manchetes sejam bem escritas! (risos)

 

RUMO AO DICIONÁRIO

Os neologismos dos tempos digitais incorporam novas expressões diárias, muitas geradas nos bastidores internacionais sob influência da língua franca, o inglês e TI. Essas expressões tendem a ser dicionarizadas no VOLP, por exemplo? Será que Bechara vai se ocupar deles?

R – Celso Luft (gramático e linguista) costumava dizer que quando 98% da população usa determinada palavra, ela deve constar nos dicionários.

Hoje a estatística é outra (diminuiu), pois os dicionários online permitem uma atualização mais rápida, com a inserção do termo tão logo ele comece a se popularizar, ou sua retirada quando deixa de ser usado, como foi o caso de “imexível”.

 

“QUASE DESANIMEI…”

A linguagem das TVs é cada vez mais sintética; os jornais impressos, os poucos que sobraram, pouco aprofundam em análises; os livros impressos vão escasseando e as livrarias, fechando. Esse quadro anima uma cultora da língua a continuar sua catequese?

R – Leio tanta coisa errada que quase desanimei, Aroldo.

Erros especialmente de revisores, que em princípio deveriam conhecer melhor a língua do que o redator. Mas depois, pensando nesses poucos que têm curiosidade e interesse em se aprimorar (e que por isso acabam sobressaindo em seu trabalho), resolvi me dedicar a este livro, que aborda 377 questões de gramática, ortografia e estilo. Mas, confesso, nessa linha didática é meu último.

 

TIRAGEM EXPRESSIVA

Qual a tiragem desse seu livro Não Tropece na Redação? Onde se encontra localizada a maior parte de seus leitores?

R – Foram publicados três mil livros: uma edição normal de mil exemplares; e dois mil com publicidade na capa, subsidiados pelo Legado Tallarek de Queiroz. Meus leitores são aqueles que trabalham com jornalismo, revisão, tradução e redação – acadêmica ou não.

Estou muito feliz em lançar esta obra em Curitiba, cidade culturalmente acolhedora e sede do portal Língua Brasil, cujo conteúdo é de minha responsabilidade.

(O livro “Não Tropece na Redação”, de Maria Tereza de Queiroz Piacentini, é encontrado nas livrarias. Ou pela Bonijuris, 0 41 – 32 24 27 09).

Autografando
Des. Rosana Andriguetto de Carvalho, Des. Joatan Marcos de Carvalho, Maria Tereza, Anita Zippin
Elin Talarek de Queiroz, Maria Tereza, a irmã Maria Perpétua de Queiroz Krieger e sobrinha Olga Maria Krieger
Público seleto presente no lançamento
Leia Também

Leia Também