
Forte testemunho de quem conviveu com o raro
ser humano desde a fase de estagiária.
Querido Aroldo,
Li com emoção o texto que você escreveu sobre o Jaime, neste dia tão marcado pela sua perda. Mais que um texto importante sobre a trajetória dele o que nele se vê é o afeto que permeou toda a sua trajetória: tudo o que ele fazia estava embasado técnica e cientificamente mas principalmente tinha afeto e por isso se diferenciava das inúmeras outras ações bem sucedidas mas não tão marcantes: há afeto, coração, emoção em tudo o que Jaime fez.
DESDE ESTÁGIO
Tive o privilégio de conviver com ele nos últimos 50 anos: primeiro como estagiária onde vivíamos no escritório um ambiente de aprendizado e camaradagem: éramos todos aprendizes e ávidos por fazer acontecer! no entanto minha maior experiência com ele foi na universidade primeiro como aluna e depois como colega de docência onde íamos juntos às 7:30 da manhã pela cidade, com uma turma de alunos fazendo uma leitura do espaço urbano.
Espaço esse que ele mais que ajudou a construir, ele marcou fortemente! Depois na prefeitura, na construção de obras emblemáticas mas principalmente na vivência de cada parte de uma cidade que ele conhecia em toda sua amplitude.
PATRIMÔNIO CULTURAL
No estado tive o privilégio de coordenar o patrimônio cultural e participar de projetos importantes e renovadores como o “velho cinema novo”, o “comboio cultural”, a valorização do “museu paranaense” entre tantos outros…
Foram momentos marcantes em minha vida profissional mas principalmente me marcaram como pessoa, forjaram em mim a certeza de que é mesmo na cidade, na rua, no espaço urbano, que as relações humanas se fazem e transformam nossa maneira de ver o mundo.
Jaime foi um visionário, um acadêmico que valorizava o saber como elemento transformador mas foi principalmente um ser humano em quem o afeto foi o que o fez diferente, e único!
Maria Luiza Marques Dias (Malu), professora da UFPR, arquiteta.
