terça-feira, 16 junho, 2026
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Mais uma baixa na revista Ideias, o colunista Armando de Souza Santana Jr.

Armando de Souza Santana Jr.

Morreu na noite de sábado, 26/6, em Curitiba, o advogado Armando de Souza Santana Jr. Estava internado havia cerca de duas semanas no Hospital Nossa Senhora das Graças, com o vírus da Covid-19. As duas doses da vacina que havia recebido não o livraram da “peste”, como ele se referia à pandemia do novo coronavírus.

Armando era natural de Belém, Pará, de onde chegou em 1966. Filho de ferroviário, o pai havia sido transferido para Curitiba nos ventos do golpe militar de 1964. Desde então viveu em Curitiba (com breve retorno a Belém na década de 70, por curto período).

FORMATURA

Aqui formou-se advogado pela Faculdade de Direito de Curitiba, atual Unicuritiba e se consolidou como competente profissional, especialmente na área empresarial. Nos anos recentes, Armando atuou em processos da Lava Jato, em parceria com o escritório do criminalista Antonio Augusto Figueiredo Basto.

O talento do advogado Armando de Souza Santana Jr ia além da área jurídica. Poucos conheciam seu pendor à pintura, atividade que realizava talvez como lazer (se desconhece se possuía alguma formação técnica ou se o dom era natural). Orgulhava-se especialmente de duas obras: o retrato da mulher, Mari – que mantinha na sala de seu escritório, e o do presidente John Kennedy, exposto junto à estante de livros, em casa.

Armando de Souza Santana Jr.

PAIXÃO POR ESCREVER

As letras eram outra paixão de Armando, e foi o que o levou a ser convidado pelo jornalista Fábio Campana a assumir uma coluna mensal na revista Ideias. Seus últimos textos abordavam justamente a “peste”, que acabou vitimando-o também. Estava atormentado pela pandemia, é certo, mas seus leitores de tempos anteriores se deliciaram com histórias de dias mais amenos, suas viagens a Europa, suas peregrinações por locais considerados santos, outros “mágicos”, seus prazeres da mesa, vinhos e charutos, até a memória de seus tempos de Escola Técnica e a primeira amizade feita em Curitiba, referida como uma “gangue de dois”.

Fábio Campana

Fabio Campana, outro profissional brilhante que a Covid-19 nos privou da presença, em uma apresentação na revista Ideias disse, com razão, que o talento literário do Armando estava nos devendo um romance. O artigo de estreia na Idéias foi uma das mais brilhantes e tocantes obras de Armando – O Menino Morto –, em que relatou seu primeiro contato com o destino inevitável de todos os seres.

Desconhece-se se Armando deixou algum romance inacabado; o certo é que tinha planos de um livro de contos da lavra da “gangue de dois”. Armando de Souza Santana Jr deixou a esposa Marilei Santana e o filho Victor Hugo – a paixão do casal.

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