Levantamento feito pela Editora do Brasil com 821 unidades de todo o país estima que 300 mil professores já foram demitidos com a pandemia

Por Isabela Palhares / Folha
A maioria das escolas particulares do país diz ter perdido mais de 10% dos estudantes durante a pandemia do novo coronavírus. A queda em matrículas ocorre principalmente na educação infantil (para crianças de 0 a 5 anos), em que há dificuldade de se fazer o ensino remoto.
O levantamento feito com 821 unidades de todo o país na última semana de junho mostra que 60,1% afirma ter perdido mais de 10% das matrículas. Já 19,7% diz ter perdido mais de 30% dos alunos. Só 9,6% respondeu não ter tido nenhum cancelamento. A pesquisa foi feita pela Editora do Brasil.
INADIMPLÊNCIA ALTA
Além da saída dos estudantes, a inadimplência e os descontos em mensalidades resultaram na demissão de professores. Segundo estimativa da Fenep (Federação Nacional de Escolas Particulares), cerca de 300 mil docentes foram dispensados após a pandemia.
Dona de uma escola de educação infantil há 14 anos, Ildener Cabral, 58, perdeu nos últimos 3 meses mais de 60% das matrículas. A escola Ovide Decroly, no Parque do Carmo, zona leste de São Paulo, tem hoje 26 das 72 crianças que estudavam na unidade antes da pandemia.
DEMISSÕES
“Tentamos o ensino remoto, dei desconto para todas as famílias, mas mesmo assim não consegui manter as matrículas. Não sei mais o que fazer para a escola ficar aberta. Dos 15 funcionários, já demiti 5 e vou ter que dispensar mais”, contou Ildener.
Com a saída de cerca de 20% dos 92 alunos, Adriana Oliveira, dona da Escola Oliveira, em Jandira, na Grande São Paulo, disse ter medo de ir a falência. Com apenas 4 anos em funcionamento, a unidade, com mensalidades de R$ 520, não tinha nenhuma reserva.
As demissões, no entanto, não ocorreram apenas nas escolas de educação infantil. Professora de educação física no ensino fundamental, Gisele Chiavone, 37, foi demitida da escola em que trabalhava desde 2013.
Escolas de classe alta também começaram a fazer demissões antes mesmo do fim do semestre. Professora de educação infantil, Jéssica Rocha, 31, foi demitida da escola que trabalhava em Belo Horizonte. Com mensalidades a partir de R$ 2.200, a unidade decidiu liberar o pagamento das crianças de 0 a 3 anos e suspender temporariamente o contrato dos docentes dessas turmas.
