
Nem só de exposição na tribuna vive um deputado estadual veterano, como é o caso de Luiz Carlos Martins, 67, cuja carreira política acompanho há 45 anos.
Tendo já cumprido diversos mandatos na Assembleia Legislativa do Paraná, o atual líder do PSD não é o que se possa classificar de “low profile”. Nem é, muito menos, daqueles que se expõem a toda hora e a todo custo, tipos muito comuns nos legislativos deste país.
Assim, jamais será classificado como um “arroz de festa”. Não é de sua natureza.
Acho que, embora parecendo ser “de ação lenta”, como o podem denominar certos analistas políticos, ele age, isto sim, com a cautela de quem tem compromisso com eleitorado de muitas feições, idades, classes sociais e diferentes expectativas em torno de seu deputado.
CALEJADO

Luiz Carlos Martins, amadurecido e calejado pelos anos seguidos de legislativo, manifesta-se especialmente por meio de sugestões e/ou projetos oportunos, alguns dos quais – com brevíssimos resumos, infelizmente – me chegam, encaminhados por sua assessoria.
Na verdade, eu gostaria de traduzi-los com amplidão para os leitores deste espaço (jornal Indústria & Comércio, minha Newsletter, Portal do I&C News e Portal da Rádio Banda B, além de minha conta no FaceBook).
Não são muitos os projetos de Luiz, apresentados este ano e ano passado.
Mas são substantivos. Alguns deles, são de visceral importância numa sociedade cada vez mais urbanizada, desumana e distante (quando não indiferente) às necessidades do próximo, do ser humano em geral.
SOCORRO MÉDICO

Um dos projetos oportuníssimos de Luiz, aprovado, trata de uma questão que interessa a todos, ricos e desafortunados. É baseado no Código Penal Brasileiro, seu artigo 131, que trata da questão da omissão de socorro.
A lei determina que todos os hospitais, clínicas, unidades de saúde, públicos e privados, no Paraná, deverão afixar em local bem visível cartazes esclarecedores acerca da lei que rege a omissão de socorro, bem assim as penalidades que a contempla.
Luiz não tem memória curta. Pelo contrário, como comunicador veterano e encantador de multidões com sua fala prudente e compromissada com a ética (moral cristã, traduza-se, em se tratando dele, um católico), ele deve ter-se “inspirado” no lamentável episódio ocorrido com Saul Raiz, 3 anos atrás. O ex-prefeito, octogenário, foi baleado por ladrão, e com muita dificuldade conseguiu chegar ao Hospital São Vicente, Av. Vicente Machado. Lá foi solenemente recusado pelo hospital, que não o quis atender. Esvaia-se em sangue, balas no corpo.
Saul foi salvo, sabemos – e ele mesmo me contou detalhes desse gesto humanitário – por um guardador de carros, que tomou a direção do carro do ex-prefeito e o levou ao Hospital Evangélico. Atendido de pronto, foi salvo.
Não se sabe de punição que tenha contemplado essa inexplicável omissão de socorro. Tudo indica que não houve castigo, só o crime.
“Se fizeram isso com Saul Raiz, o que não fazem, essa e outras unidades de saúde, como simples mortais?”. Essa pergunta pode ter sido a lógica que presidiu o projeto de Luiz Carlos Martins.
VIOLÊNCIA/MULHER
Quem prestar atenção às propostas do deputado, ultimamente “muito triste com o fato de políticos serem apresentados genericamente como corruptos, independente de seus comportamentos” – verá que ele é ‘fiel no pouco’, como diziam os romanos. E assim, sendo fiel no pouco, tem obrigação de ser leal no muito.
Isto quer dizer: pode partir de realidades simples, escondidas, para abraçar grandes temas.
Assim foi quando propôs o projeto, por exemplo, que prevê prioridade na contratação de mulheres vítimas de violência, em empresas prestadoras de serviços ao poder público estadual.
Pode haver maior justiça num tempo de desemprego irrestrito?
MARIA DA PENHA
A questão de discriminação da mulher e a da violência doméstica, motivaram o projeto de Luiz.
De onde ele retira essa sensibilidade – “in pauca fidelis”, “fieis no pouco”?
Para mim, o cotidiano escutar aos ouvintes, sobretudo a gente do povo, ao longo de 40 anos, fez de Luiz uma espécie de confessor ampliado das reclamações de homens e mulheres de todos os matizes.
