
Uma das decisões mais importantes que o novo prefeito de Curitiba terá de resolver – e com pressa – é a do lixo. Admite-se que a licitação milionária poderá ser anunciada a partir de fevereiro. Uma possibilidade…
O assunto, diz-se, estaria sendo olhado com lupa, tanto por assessores do prefeito Rafael Valdomiro Greca de Macedo quanto pelos diversos grupos empresariais interessados no assunto. Se vai gerar polêmicas, não se sabe. O último grande imbróglio do lixo curitibano teve de ser resolvido na justiça.
R$ 278 MILHÕES
De qualquer forma, é bom acentuar: não é pouco o valor que a Prefeitura de Curitiba gasta com a coleta e destinação do lixo da cidade. Coisa de R$ 278 milhões/ano, dinheiro que vai para a CAVO (coleta) e Estre (aterro em Fazenda Rio Grande). Todos os dias, caminhões da Cavo coletam o lixo e o levam à Fazenda Rio Grande.
“PASSEIO”
O percurso médio é de 70 quilômetros/dia por cada caminhão no trajeto de ida e volta. Acontece que a Taxa do Lixo (cobrada junto com o IPTU) chega a R$ 98 milhões. Isto é, um prejuízo anual de R$ 180 milhões/anos para fazer um serviço “porco, antieconômico e ultrapassado”, como adverte à coluna um vereador que, pedindo anonimato, vai-se resguardando com argumentos legais para eventualmente interferir no processo licitatório.
SECAGEM

Uma equipe do Banco Mundial que, a pedido da Prefeitura, na administração Gustavo Fruet, sugeriu novas alternativas tecnológicas:
Uma delas: como a de fazer o lixo passar por um processo de secagem que, entre outras coisas, reduz volume e, como efeito colateral, produz combustível que pode ser comprado pelas indústrias cimenteiras, altamente dependentes.
CONSÓRCIO
Curitiba e cidades da redondeza formavam um consórcio (o Conresol) e este fazia uma licitação internacional criada anos atrás, tempos de Ducci.
Essa licitação gerou protestos, não poucos. O jornalista Celso Nascimento, da Gazeta do Povo, foi um dos que perderam as estribeiras com o assunto: disse que havia irregularidades gritantes na licitação e no agir do consórcio.
O empresário Salomão Soifer, assim como a Queiroz Galvão eram dois dos concorrentes com chance.
JUSTIÇA CANCELA
Ações judiciais e impossibilidades de acordo fizeram Gustavo Fruet e os prefeitos cancelarem o processo licitatório em 2015. No fim, o cancelamento se deu por ordem da justiça.
Foi quando o então prefeito Fruet chamou a equipe do Banco Mundial para revolucionar tudo.
Para o único aterro (que não precisa ser o da Estre, em Fazenda Rio Grande), mas mais para os próximos e localizados em pontos mais perto das regiões de produção, irão os produtos não passíveis de aproveitamento.
NOVOS CENTROS
Os novos centros de coleta serão mini-indústrias capazes de secar o lixo e transformá-lo em combustível com valor de mercado.
A(s) empresas(s) que forem contratadas se obrigam também a participar da coleta e aproveitamento do lixo reciclável, que corresponde a percenual do que é recolhido. Falam em 7% do montante, graças principalmente aos catadores, vítimas de uma máfia que age principalmente na Vila Pinto e que aluga (!!!) os carinhos para os coitados e pagam miséria que pelo que recolhem. Drama social gravíssimo.
OS CATADORES
Os catadores teriam papel fundamental no esquema.
Audiências públicas foram realizadas no passado e tudo ficou pronto a tempo para a nova licitação ser feita nos primeiros meses deste 2017.
GRANDE DÚVIDA
Usando a dúvida metódica, tomando por base o passado da história do lixo em Curitiba, cidadãos atentos se dizem “meio céticos”.
Mostram-se em dúvidas sobre se o modelo sugerido pelo Banco Mundial será implantado: “A proposta não facilita “rolos” e corresponde a um avanço tecnológico capaz de gerar economias para a Cidade. Mas será que isso é exatamente o que a administração Greca de Macedo está procurando para resolver a questão?”, indagam.
De minha parte, espero que sim. Mas mantenho os olhos bem abertos, até porque administrações municipais – tradicionalmente – nem sempre saem de mãos limpas quando se envolvem com a sujeira milionária do lixo.
