
Não exagero: foi verdadeiramente histórica a primeira parte do depoimento de Jaime Lerner aos entrevistadores do projeto “Encontros do Araguaia”, dado em edifício do mesmo nome (Araguaia, no Batel), no dia 23, segunda-feira. Lerner revelou curiosidades pouco conhecidas de sua história, assim como não fugiu de definições sobre as necessidades da Curitiba de hoje. Por exemplo: é frontalmente contra a adoção do metrô em Curitiba, fica com o Veículo Leve sobre Pneus (VLP), elétrico, correndo pelas canaletas. Mas especialmente advoga uma melhor valorização do sistema de transporte urbano baseado no ônibus.
DEPOIS DE ÁLVARO

A longa entrevista – depois de Álvaro Dias e a de Borsari Neto -, que conduzo como organizador do livro a resultar da série de depoimentos de paranaenses que mudaram o perfil do Estado, no século 20 e hoje -, durou 3,5 horas. Fábio Campana, José Lucio Glomb (presidente do Instituto dos Advogados do Brasil), Celso Nascimento, Maí Nascimento Mendonça, Dante Mendonça e Marcus Vinicius Gomes fizeram as perguntas.
Os entrevistadores são conhecedores notórios das grandes mudanças urbanísticas geradas por Lerner, apoiado pelo tripé mais notável de sua equipe: Rafael Dely, Carlos Eduardo Ceneviva e Nicolau Kluppel (Cassio Taniguchi foi o executivo essencial das mudanças).
Wasyl Stuparyk gravou o vídeo e Annelize Tozzeto fotografou o encontro.
METRÔ: CONTRA

O ex-governador Jaime Lerner já se pronunciou várias vezes sobre o assunto. Em todas elas foi contrário ao metrô. Diz que se estabelecido um peso para cada alternativa de transporte, o metrô equivaleria em Curitiba a um custo 100, o VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos), 40, o Veículo Leve Sobre Pneus, 20, e o BRT (Bus Rapid Transit) utilizado em Curitiba, 5.
MAIS BARATO
Lerner argumenta que, mesmo com todas as alternativas de transporte colocados à disposição das cidades, o ônibus continua sendo a mais barata. Se alguma coisa tem que diminuir são os carros, não os ônibus. E não é o único a argumentar a favor dos BRTs. Hoje há 5.400 quilômetros de vias de BRTs construídas em 250 cidades do mundo, transportando 150 milhões de passageiros. E, não esquecer que tudo começou com ele e sua equipe, em Curitiba, a partir de 1971.
PENSAR GRANDE
Para Lerner, é uma temeridade descartar soluções diferentes das do metrô. “Tudo tem que ser pensado grande. Uma cidade tem que ser grande a ponto de assimilar a periferia”, afirma. O tempo parece dizer que Lerner tem razão.


