sexta-feira, 1 maio, 2026
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Lerner em “Encontros” diz do que Curitiba precisa (I)

Jaime Lerner
Jaime Lerner

Não exagero: foi verdadeiramente histórica a primeira parte do depoimento de Jaime Lerner aos entrevistadores do projeto “Encontros do Araguaia”, dado em edifício do mesmo nome (Araguaia, no Batel), no dia 23, segunda-feira. Lerner revelou curiosidades pouco conhecidas de sua história, assim como não fugiu de definições sobre as necessidades da Curitiba de hoje. Por exemplo: é frontalmente contra a adoção do metrô em Curitiba, fica com o Veículo Leve sobre Pneus (VLP), elétrico, correndo pelas canaletas. Mas especialmente advoga uma melhor valorização do sistema de transporte urbano baseado no ônibus.

DEPOIS DE ÁLVARO

Lerner (de costas), e, no sentido horário: Aroldo, Campana, Dante Mendonça, Maí Nascimento Mendonça, Celso Nascimento, Marcus Vinicius Gomes e José Lúcio Glomb.
Lerner (de costas), e, no sentido horário: Aroldo, Campana, Dante Mendonça, Maí Nascimento Mendonça, Celso Nascimento, Marcus Vinicius Gomes e José Lúcio Glomb.

A longa entrevista – depois de Álvaro Dias e a de Borsari Neto -, que conduzo como organizador do livro a resultar da série de depoimentos de paranaenses que mudaram o perfil do Estado, no século 20 e hoje -, durou 3,5 horas. Fábio Campana, José Lucio Glomb (presidente do Instituto dos Advogados do Brasil), Celso Nascimento, Maí Nascimento Mendonça, Dante Mendonça e Marcus Vinicius Gomes fizeram as perguntas.

Os entrevistadores são conhecedores notórios das grandes mudanças urbanísticas geradas por Lerner, apoiado pelo tripé mais notável de sua equipe: Rafael Dely, Carlos Eduardo Ceneviva e Nicolau Kluppel (Cassio Taniguchi foi o executivo essencial das mudanças).

Wasyl Stuparyk gravou o vídeo e Annelize Tozzeto fotografou o encontro.

METRÔ: CONTRA

Celso Nascimento, Fábio Campana, Jaime Lerner, Dante Mendonça, Maí Nascimento Mendonça, José Lucio Glomb, Marcus Vinicius Gomes e Aroldo Murá G.Haygert.
Celso Nascimento, Fábio Campana, Jaime Lerner, Dante Mendonça, Maí Nascimento Mendonça, José Lucio Glomb, Marcus Vinicius Gomes e Aroldo Murá G.Haygert.

O ex-governador Jaime Lerner já se pronunciou várias vezes sobre o assunto. Em todas elas foi contrário ao metrô. Diz que se estabelecido um peso para cada alternativa de transporte, o metrô equivaleria em Curitiba a um custo 100, o VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos), 40, o Veículo Leve Sobre Pneus, 20, e o BRT (Bus Rapid Transit) utilizado em Curitiba, 5.

MAIS BARATO

Lerner argumenta que, mesmo com todas as alternativas de transporte colocados à disposição das cidades, o ônibus continua sendo a mais barata. Se alguma coisa tem que diminuir são os carros, não os ônibus. E não é o único a argumentar a favor dos BRTs. Hoje há 5.400 quilômetros de vias de BRTs construídas em 250 cidades do mundo, transportando 150 milhões de passageiros. E, não esquecer que tudo começou com ele e sua equipe, em Curitiba, a partir de 1971.

PENSAR GRANDE

Para Lerner, é uma temeridade descartar soluções diferentes das do metrô. “Tudo tem que ser pensado grande. Uma cidade tem que ser grande a ponto de assimilar a periferia”, afirma. O tempo parece dizer que Lerner tem razão.

Jaime Lerner, Celso Nascimento, Marcus Vinicius Gomes e José Lúcio Glomb
Jaime Lerner, Celso Nascimento, Marcus Vinicius Gomes e José Lúcio Glomb
Lerner e Aroldo
Lerner e Aroldo
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