domingo, 31 agosto, 2025
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LEONARDO FABBRI (CHAMELEO) – MUTANTE E MULTIEXPRESSIVO

O leitor de minha coleção “Vozes do Paraná” poderá conferir 15 novos Retratos de Paranaenses a partir de 12 de agosto, quando lançarei o volume onze do livro, às 20 horas, na Sociedade Garibaldi. O cantor/compositor hoje atua em São Paulo. É filho do cirurgião geral e filósofo Edmilson Mario Fabbri e da psicóloga Tati Fabbri.

A seguir, um trecho do perfil do cantor Leonardo Fabbri, o Chameleo, personagem Nova Geração retratado em “Vozes 11”.

“Sem pressa, começo a rever anotações de diálogos meus com Leonardo Fabbri, 25, ou Chameleo, nome artístico que ele assumiu em inglês e com o qual expõe-se ao orbe todo.

O pseudônimo é cartão de visita com que o cantor, arranjador e compositor se expõe aos que querem ouvi-lo e àquelas multidões que ele quer chegar em sua carreira em consolidação, num universo disputadíssimo e ampliado à décima potência a partir das novas realidades digitais.

O cantor tem certeza de que há uma demanda reprimida para o canto e a batida pop em que ele se expressa. Para o underground e o romântico. Por isso mesmo, insiste em seu itinerário, suas deambulações com tonalidades que ficam entre a reclamação pungente de amor e os gritos de solidão, por vezes comoventes. No entanto, são gritos cumpridores de seu papel.

Alimentam ouvintes que, no fundo, reclamam por parcerias como as que as os cânticos desse Chameleo estão a distribuir a mancheias.

Leonardo Fabbri já tem alguns marcadores da carreira profissional que começa: 150 mil “plays” no spotify a um de seus clipes – “Collor Blind”. Vinte cinco mil visualizações no Youtube. E o não menos importante: seu canto de mistas tonalidades (um pouco pop moderno, um pouco lembrando jazz) está na grande porta que é a MTV.

LARGATO DAS MUTAÇÕES

Chameleo é lagarto, o camaleão, em português, que tem família própria aos olhos da Ciência. O réptil adota mutações de cores para viver/sobreviver diante das muitas situações com que se defronta. Como as de perigo.

No terreno do simbólico, camaleão significa mudança, flexibilidade e enorme capacidade de adaptação também pessoal, como qualidade, por exemplo, definidora do “camaleão humano”, um expert em adaptações. Vou ao dicionário em busca de melhor tradução. Ele diz que a simbologia do camaleão “passa da ordem ética e psicológica para a ordem cósmica, indicando o deslocamento dos centros de interesse de observação.”

É diante desse Chameleo, filho de meus amigos Edmilson e Tatiana Fabbri – menino que vi nascer -, agora numa conversação ampla e quase irrestrita, que me apercebo da adequação do nome à vida que Leonardo vai escrevendo. E da qual nunca se escondeu, até porque a ama e a cultiva assim, entre gemidos, vibrações alegres e expectativas não bem definidas. O que é notável no seu todo, com o olhar e a fala de alguém que paira num espaço muito particular. Mas muito acessível a quem quiser dele se aproximar e com ele andar duas milhas. Ou mais.

FORTE NOSTALGIA

O itinerário de Leonardo é o de uma alma inquieta, mutante, experimental, despojada de adereços e, no fundo, de forte nostalgia do transcendental. As suas inquietudes são realidades que ele não esconde, acha-as também serem propriedades de todo o ser humano, especialmente daqueles que não as querem aceitar.

Ele não se esconde. Transborda-se na identidade comunicativa, com indisfarçáveis pitadas de melancolia, sinto. O raciocínio rápido e a fala mais ainda, com pitadas irônicas que não chegam a ferir o interlocutor, vão transbordando na sua fala/conversa/proclamação.

Tudo isso Chameleo tem esmaltado por uma poética única, cujos cantares mexem e comovem o ouvinte. Jovem ou não.

Tal como acontece comigo, quando o escuto pela primeira vez num clipe desses milagres do Youtube, ele cantando “Volta”, em bom português, raridade do moço que escolheu o inglês para expressar seu mundo, de olho certamente no mercado internacional.

Essas fronteiras do internacional estão em todo canto facilitadas pelos milagres das ditas plataforma digitais. Nelas, o linguajar anglo-saxônico – seja no inglês dos americanos, dos latinos, dos japoneses, dos indianos, dos australianos … – é o senhor a ditar os tons. O mundo e os tempos de hoje o querem assim. Fiat voluntas tua, pois o inglês é a língua franca da vez.

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