
“No último dia de janeiro de 1915, no signo de Aquário, num ano de grande guerra, debaixo das sombras de certas montanhas francesas na fronteira com a Espanha, nasci para o mundo. Livre por natureza, à imagem de Deus, era no entanto prisioneiro da minha própria violência e do meu próprio egoísmo, à imagem do mundo em que nasci.
(…)
Eu herdei de meu pai seu modo de ver as coisas e um pouco de sua integridade, de minha mãe herdei o descontentamento pelas enrascadas em que o mundo se meteu e um pouco de sua versatilidade. Recebi de ambos a capacidade de trabalhar, visão, prazer e expressão que poderiam ter feito de mim uma espécie de rei, se os padrões de que vivia o mundo fossem legítimos.”
(A montanha dos sete patamares, Thomas Merton)
LEMBRANDO (2)
Quando lembro Thomas Merton e sua fantástica jornada e apostolado pela paz interior, pela paz entre os homens, contra o racismo, em prol do ecumenismo e diálogo inter-religioso -, acabo mergulhando nos anos 1950 quando, ainda um adolescente, descobri esse autor.
Ele ajudou-me a pavimentar meu caminho neste mundo.
Em meados dos 1990, ainda apaixonado pelo pensamento de Merton, fui visitar sua casa e seu túmulo, na Abadia de Getsemâni, no Kentucky. Foi uma jornada memorável: meu quarto, por mera coincidência, tinha janela dando para o túmulo do monge do antológico “Sementes da Destruição”.
