
Um dos três escritores brasileiros que mais vendem, Laurentino Gomes escolheu Curitiba, onde se iniciou no jornalismo há 40 anos, e onde nasceram 2 de seus 4 filhos, para lançar o livro que a todos surpreendeu: “Caminho do Peregrino”.
Os livros de Laurentino, se somados, totalizam milhões de exemplares.
O livro contém uma pública confissão de fé cristã, de reconciliação com os ensinamentos recebidos em casa (católicos), e dos quais havia se distanciado.
“Numa redação de jornal, revista ou TV é quase heresia se declarar temente a Deus…”, disse o escritor e jornalista, na palestra que fez quarta-feira, dia 7, na Livraria Curitiba-Estação, quando lançou a obra, escrita com Osmar Ludovico (este apresenta as meditações).
As ilustrações são um aval à qualidade do material, do ponto de vista espiritual: são assinadas por Cláudio Pastro, o mais importante nome das artes plásticas brasileiras voltadas à arte sacra. Pastro já deve ter perdido a conta do número de igrejas – sobretudo católicas -, mosteiros, conventos e instituições que têm trabalhos seus. Os vitrais da Basílica Nacional de N.S. Aparecida, por exemplo, estão nesse rol.
FENÔMENO EDITORIAL
Laurentino Gomes é um dos maiores fenômenos editoriais do Brasil, se aproximando da escala de Paulo Coelho. Com o diferencial que, em lugar de ter se tornado um “best-seller” escrevendo sobre mundos e realidades fantásticas que tanto agradam a um público eclético e pouco exigente, o jornalista Laurentino, ‘pé vermelho’ de Londrina, escreve sobre história do Brasil, trabalho hercúleo que envolve pesquisas profundas, como, por exemplo, as constantes em “1808” e “1889”.
GRANDES MOMENTOS
Todos os que somos leitores de boas publicações nacionais estamos acostumados a ler depoimentos de Laurentino sobre como trabalha incansavelmente, fazendo ação de perdigueiro da História, em busca de transformar a narrativa de grandes momentos da história pátria assuntos acessíveis ao grande público. Sem jamais ser vulgar, é claro.
Na noite de quarta-feira, o acadêmico da Academia Paranaense de Letras – hoje um nome nacional consolidado – surpreendeu aos que foram ouvi-lo no lançamento de seu mais recente livro – “Caminho do Peregrino”, escrito em parceria com Osmar Ludovico, seu orientador espiritual.
Disse não ter vergonha de proclamar sua fé no Jesus, agora redescoberto e que lhe deu novo sentido de viver, depois de ter sentido o gosto do sucesso puramente humano. O Cristo deu-lhe sentido à vida, assegurou.
Confessou que muitas vezes, o fato de ter-se transformado num escritor-historiador de sucesso o fez objeto “de certas bajulações”.
Tenho para comigo que parte da “Estrada de Damasco” de Laurentino começou mais fortemente no dia em que chegando a Roma, em 2013, ele e a mulher participaram da canonização de João Paulo II e João 23.
“Foi inesquecível participar da audiência pública com o papa Francisco”, garantiu o escritor.
A PARCERIA
A nova fase da vida de Laurentino, agora apóstolo de um cristianismo que antes lhe era apenas parte de uma herança familiar (neste ponto, chamou a atenção para sua mãe, presente na noite de lançamento do livro), começou quando conheceu e fez-se amigo de Osmar Ludovico.
Ludovico, 73, é um líder e chefe de uma família um pouco francesa (sua mulher é francesa), com netos na França. Não é o típico pregador, como aqueles que vendem “simpatia” para ganhar clientela no mercado religioso.
Nem promete milagres ou feitos “notáveis” como decorrência do Evangelho que anuncia. Na verdade, está mais para teólogo e conselheiro espiritual, lecionando num seminário evangélico. Tem forte acento ecumênico, sem dificuldades de conviver com o mundo católico.
PASTOR EM CURITIBA
Por alguns anos, Ludovico – que é um nome acatado naquele mundo evangélico brasileiro marcado pela seriedade da pregação e da análise do fenômeno religioso – em Curitiba liderou por anos uma pequena comunidade evangélica tradicional, há 20 anos. Esteve ligado, por exemplo, à Igreja do Cristianismo Decidido, denominação de origem alemã (e frequentada por grande número de alemães e seus descendentes); como também se ligou à linha das irmãs evangélicas que mantêm o Lar da Lapinha (com spa freqüentado por clientela nacional VIP). – Ludovico é reputado como orientador de casais, em encontros de casais, e retiros espirituais. E foi num desses retiros, num mosteiro beneditino em França, presentes Laurentino e sua mulher, quando o jornalista e escritor decidiu aceitar a sugestão: ir em peregrinação a Jerusalém.
Com um grupo organizado por Ludovico, Laurentino e a mulher se transformaram em peregrinos – “uma caminhada que nunca termina”, sobre cujas descobertas espirituais o autor de “1808” fez amplas observações.
Para Laurentino, o “lugar em que menos você pode orar é Jerusalém”, explicou, lamentando que a cidade símbolo do monoteísmo tenha se transformado num mercado “onde se vende toda sorte de bugiganga, e você é o tempo todo distraído pelo rebuliço do entorno”. Lembrou que, “quando menos se espera”, pode-se ver uma luta de porretes entre judeus e palestinos, num ponto de ônibus, por exemplo.
Uma plateia ampla ouviu o testemunho atento de Laurentino, numa pregação típica de um “born again” (“renascido”), mas sem as entonações “xaropes” que caracterizam os chamados neoconvertidos.
Notei ausência de escritores e jornalistas, sempre interessados no escritor de História. Não procuraram, desta vez, o Laurentino novo converso. O qual prepara, na minha opinião, sua obra monumental: a História da Escravidão africana, um olhar profundo sobre os 11 milhões de negros espalhados sobretudo nas Américas, onde se formou o sinal mais visível da grande diáspora negra.
O “Caminho o Peregrino” é para ser sorvido de vagar, especialmente na parte das meditações de Ludovico, conforme orientou Laurentino naquela noite.
Só lamento que não consegui documentar fotograficamente aquele momento muito significativo. Em vão, fiquei esperando as fotos que o assessor de imprensa da Livraria Curitiba me prometera.
