quinta-feira, 30 abril, 2026
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Lá se foi o Carnaval

Rafael Greca, com a baiana, no Carnaval de 1993, na Marechal Deodoro
Rafael Greca, com a baiana, no Carnaval de 1993, na Marechal Deodoro

Ainda que, por motivos de economia, a Prefeitura tenha decidido cortar pela metade o repasse de recursos destinado ao carnaval curitibano, o número resultante parece maiúsculo: 500 mil reais dos cofres públicos para um desfile que, é verdade, não atrai muitos. Deste valor, R$ 30 mil são destinados a cada uma das escolas do primeiro grupo. Blocos e escolas de grupos inferiores recebem uma partilha menor.

‘COXAS ROXAS’

O jornalista e colunista esportivo Vinicius Coelho, “in memoriam”, costumava lançar vitupérios a cada vez que ouvia falar do Carnaval em Curitiba. Dizia que o reinado de Momo não existia, chamava as passistas de ‘coxas roxas’ por desfilar seminuas em temperaturas atípicas para o verão e via nas fantasias a reprodução dos personagens andrajosos de Charles Dickens.

GARIBALDIS E SACIS

Exageros à parte, o Carnaval de Curitiba até que deu sinais de vida, mas no período pré-carnavalesco, com o Bloco Garibaldis e Sacis, que nasceu no Largo da Ordem e depois, engrandecido e algo transformado (para o bem ou para o mal) tomou a Marechal Deodoro. A mudança não lhe fez bem. O bloco perdeu a malícia de suas letras e o ritmo da marchinha para adotar a axé music tão viralizada nas ruas. Restou ao pré-carnavalesco o cadafalso. Será preciso reinventar-se para convencer a prefeitura de que vale a pena investir em sua folia.

No entanto, ao contrário de hoje, antigamente o prefeito Greca gostava de faturar em cima do Carnaval da Marechal (vide foto). Nunca se negava, é verdade, a posar para as fotos ao lado de baianas aclimatadas ao nosso mundo meio temperado, como o flagrante de 1993. Será que os anos estão pesando muito no sessentão Greca que, tudo indica, agora despediu-se de Momo?

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