Foi com negativa surpresa que li no seu blog no dia 09 de agosto uma matéria com o reitor da UFPR, prof. Ricardo Marcelo Fonseca, posicionando-se contra o Programa do atual governo federal, FUTURE-SE.
O reitor chega a afirmar que governo põe universidades em perigo.
Como ex-professor titular da UFPR quero trazer algumas questões para reflexão.
O Brasil é um dos países mais injustos do mundo e uma das injustiças está no ensino superior público, onde os ricos estudam de graça. Por que não copiamos os EUA, que tem as melhores universidades do mundo e um celeiro de prêmio Nobel? Lá os estudantes pagam. É claro que alguém vai dizer: e os pobres? Os estudantes carentes vão continuar sim a estudar de graça nas universidades públicas. Mas a pergunta relevante é a seguinte: Por que os que podem pagar (aliás os pátios da UFPR estão abarrotados de carros novos que são dos estudantes), não pagam? Os muitos ricos pagarão mais do que os apenas ricos. Hoje, dia 13, houve manifestações em todo o Brasil contra o Future-se (e a até contra a Reforma da Previdência).
FIM DA GRATUIDADE
Gostaria de um dia ver os reitores e estudantes nas ruas pedindo o fim do ensino gratuito para os que realmente podem pagar. Falam muito de desigualdades, mas uma das maiores desigualdades que está dentro das universidades públicas eles fingem que nada existe.
Um aluno das federais está custando algo em torno de R$ 30 mil por ano. Compare esse valor com as universidades particulares. Excetuando-se os cursos de Medicina, Odontologia e outros poucos, a grande maioria dos demais cursos os alunos pagam em torno de R$ 1.500,00 de mensalidade, ou seja, R$ 18 mil por ano. Ah! Já sei a resposta que os reitores vão dar: a pesquisa das universidades públicas.
“LIXARADA” DE PUBLICAÇÕES
E aí eu pergunto: quantas pesquisas geradas nas universidades públicas contribuíram realmente para o bem-estar do povo brasileiro? São pouquíssimas. Há uma “lixarada” de publicações. Por falar em publicações, quantas publicações dos pesquisadores das universidades públicas estão inseridas em revistas científicas de respeito mundial?
Conta-se nos dedos.
Gastamos cerca de R$ 30 mil com um aluno das Federais (Na USP, que é estadual, o valor sobre para R$ 45 mil, simplesmente um absurdo, porque 102% do orçamento é comprometido com pessoal), mas investimos apenas cerca de R$ 5.000,00 por aluno do ensino básico (fundamental e médio).
Isso sim é injustiça e está errado. Por que os reitores fingem que não veem isto, ainda mais sabendo-se que a prioridade deveria ser a educação básica?
As universidades públicas americanas (eu fiz o meu Ph.D. na Ohio State University) têm, em média, um orçamento oriundo das seguintes fontes: 1/3 vindo de fees (pagamentos dos alunos), 1/3 de donations (doações, via fundações), e 1/3 do governo (estadual), sendo que o recurso do governo é fundamentalmente para investimentos. Já no Brasil?
Por falar em doações (algo que infelizmente não faz parte da cultura brasileira), eu gostaria de associar à parceria das universidades com as empresas. Essa parceria é praticamente rejeitada no meio universitário das federais no Brasil, sob a alegação de o capitalismo vai interferir nas pesquisas e subjulgar o conhecimento. Uma das maiores estupidez que eu já vi.
REPENSAR A UNIVERSIDADE
Enfim, meu caro amigo Aroldo, são observações que acho procedentes, pois se quisermos ter um Brasil melhor e menos injusto, temos sim que repensar nossas universidades públicas e nossos reitores (eleitos por um sistema totalmente errado: vai ver se nas universidades americanas é este o sistema) deveriam sim se posicionar mais favoráveis ao Future-se, mas para fazer média com a comunidade universitária, se posicionam a manter as injustiças no Brasil. Interessante registrar que quando no governo Dilma houve cortes maiores do que os de agora, os reitores se calaram. Intrigante não.
Prof. JUDAS TADEU GRASSI MENDES, autor de 12 livros publicados.