terça-feira, 21 abril, 2026
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Jornalistas ganham premio da ANJ, mas são condenados a deambular

O presidente da Associação dos Magistrados do Brasil divulgou dia 15, quarta, nota ontem condenando a premiação da Associação Nacional de Jornais (ANJ) conferida a série de reportagens da Gazeta do Povo, reconhecimento pela série de reportagens sobre vencimentos da magistratura paranaense.

Dura, a nota da AMB, a certo trecho diz: “A postura da Associação Nacional de Jornais (ANJ) de premiar jornalistas por matéria tendenciosa sobre os vencimentos da magistratura é um atentado ao direito à informação. Laurear o jornalismo irresponsável e voltado a descredibilizar a magistratura brasileira atenta não somente contra o Poder Judiciário, mas contra cada cidadão brasileiro que tem o direito de ser bem informado”.

A coluna não fica alheia à premiação, e reconhece que o esforço jornalístico da equipe da Gazeta do Povo presta um serviço à comunidade, especialmente numa hora como atual, em que o desemprego, o arroxo salarial e a falta de perspectiva profissional atingem fortemente sobretudo as novas gerações.

Conhecendo a idoneidade e a qualidade profissional dos jornalistas que trabalharam o tema vencedor do prêmio da ANJ, não elimina, no entanto, a possibilidade de as reportagens serem contestadas e discutidas pelas partes que se consideraram ofendidas, juízes e promotores. Isso é democrático e republicano.

O que é de todo inaceitável é que a mão pesada dos homens e mulheres que julgam e têm um enorme poder judicante em suas mãos, joguem dessa maneira como o fazem com relação aos jornalistas da Gazeta do Povo: determinando-lhes um “castigo” deambulatório, sem direito a recurso judicial.

De qualquer forma, deve-se reconhecer que o triste episódio cerceador da liberdade de imprensa revelou um dado surpreendente. Juízes podem ser extremamente céleres quando julgam seus interesses, bem ao contrário do que, na média, ocorre quando julgam os dos simples mortais.

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