terça-feira, 14 julho, 2026
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JORNALISTA MAURI KÖNIG JÁ EM 2014 IDENTIFICOU CRIMES DE CASTER

A Polícia Federal na terça-feira, 19, ao anunciar pedido de prisão do ex-presidente paraguaio Horácio Caster, está apenas confirmando aquilo que foi objeto de denúncias em reportagens do jornalista curitibano Mauri König, em matérias publicadas em março de 2014 pelo jornal Gazeta do Povo.

Mauri König: o melhor do jornalismo

Mauri, Campeão do jornalismo investigativo, com premiação internacional nos Estados Unidos, “cantou a bola” com detalhes, denunciando em reportagens no jornal então impresso a variada atuação do político paraguaio em contrabando de cigarros para a AL e o Brasil, além de sua associação com o tráfico de drogas.

König é dessas raridades que Curitiba esconde: sofreu muitas perseguições e ameaças pelo seu jornalismo de qualidade. Diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), Mauri, ficando sem veículo para trabalhar, tenta hoje passar seus conhecimentos às novas gerações: leciona no Curso de Jornalismo da Uninter, acolhido que foi pelo olhar especial do professor Wilson Picler.

A seguir, um registro de 28-3-2014, sobre o trabalho de König:

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“GAZETA DO POVO DEVASSA CONTRABANDO DE CIGARRO EM REPORTAGEM ESPECIAL”

Fábrica do presidente do Paraguai responde por um terço do cigarro produzido no país (Foto Christian Rizzi-Gazeta do Povo)

O jornal curitibano Gazeta do Povo publicou, no domingo (23.mar.2014), a reportagem especial “Império das Cinzas”, sobre o contrabando de cigarros produzidos no Paraguai.

O trabalho é resultado da cooperação de repórteres brasileiros, colombiana e costarricense, reunidos em agosto de 2013 por iniciativa do Instituto Prensa Y Sociedad, do Peru.

O repórter especial da Gazeta do Povo e diretor da Abraji Mauri König, responsável pela maior parte da cobertura, relata, abaixo, os bastidores da reportagem, publicada em caderno especial com oito páginas e disponível no site https://www.gazetadopovo.com.br/videos/imperio-das-cinzas-a-nova-cara-do-crime-organizado/.

“O trabalho foi uma proposta do Instituto Prensa y Sociedad, que em agosto de 2013 reuniu jornalistas de sete países para cobrir o tema do contrabando de cigarro. Nem todos esses jornalistas levaram a investigação adiante.

Automóvel acidentado ao tentar contrabandear cigarros

Por fim, restamos nós [equipe da Gazeta do Povo] do Brasil, a Martha Soto, da Colômbia, e o Ronny Rojas, da Costa Rica.

Buscamos mapear as exportações de cigarro que saem legalmente do Paraguai para vários países. Assim, descobrimos que as tabacaleras paraguaias fazem uma triangulação com o Panamá e Curaçao para, ainda nas zonas aduaneiras desses países, desviar o produto para toda a América Latina.

No curso da investigação, descobrimos nove rotas que saem do Paraguai para inundar a América Latina com cigarro pirata. Seis dessas rotas fazem essa triangulação e outras três fazem o contrabando direto: Paraguai-Brasil, Paraguai-Argentina e Paraguai-Bolívia.

Percorri a fronteira do Paraná e parte da fronteira do Mato Grosso do Sul para registrar em fotos e vídeos como se dá o contrabando. Isso resultou num documentário de 30 minutos disponível no site da Gazeta do Povo.

Horácio Cartes: envolvimento em muitos crimes

Cruzamos dados da Receita Federal com as marcas de cigarro produzidas no Paraguai e identificamos 11 tabacaleras que têm seus cigarros enviados via contrabando para o Brasil. Descobrimos, assim, que o maior beneficiado com o contrabando é o presidente do Paraguai, Horacio Cartes. Das 11 marcas que a fábrica dele produz, a Tabacalera del Este (Tabesa), cinco são contrabandeadas para o Brasil. Essas cinco marcas respondem por 49% de todo o cigarro paraguaio apreendido no Brasil.

Ao longo da apuração, fui descobrindo que o cigarro pirata do Paraguai estava avançando sobre os negócios do narcotráfico. Único meio de fazer algum tipo de comparação, as apreensões feitas no Brasil mostram uma tendência de alta do cigarro bem maior do que a maconha e cocaína no Paraná e Mato Grosso do Sul, únicos estados a fazerem fronteira com o Paraguai.”

(site da ABRAJI)

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