
O 6 de novembro passou mais ou menos em brancas nuvens. Poucos se lembraram que a data assinala o Dia Internacional da Tolerância, que tem a intensão de reforçar “a fé nos direitos humanos fundamentais” e a dignidade das pessoas. A preconização destes valores pode evitar guerras por questões culturais e religiosas, além de incentivar a prática da tolerância entre as nações.
MATRIZ AFRICANA
Intolerância religiosa é toda a discriminação dirigida contra pessoas ou contra um grupo que têm diferentes crenças ou religiões. As principais práticas religiosas descriminadas são aquelas que provém de matrizes africanas: como a umbanda e candomblé, porém, infelizmente não são as únicas.
Os números desses atos discriminatórios vêm crescendo de maneira exacerbada no Brasil nos últimos anos. Em 2015, o Centro de Promoções de Liberdade Religiosa & Direitos Humanos (Ceplir), ligado à Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos de SP, recebeu quase mil denúncias de casos de intolerância, em um período de dois anos e meio.
AUMENTOU 105%
Segundos dados da Secretaria dos Direitos Humano (SDH), vinculada ao Ministério da Justiça, entre os meses de janeiro e setembro de 2016, foram registradas 300 denúncias, pelo Disque 100. Esses números representam um aumento de 105%, referente ao mesmo período do ano anterior.
Em matéria publicada pelo Jornal Extra do Rio, em 2017, constatou que a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, da OAB/RJ, já estuda medidas educativas em escolas para combater os casos de intolerância.

Segundo Guiomar Mairovitch, presidente da comissão, “a ignorância é uma das principais causas para os ataques”. A medida visa promover palestras paras os alunos do estado e a criação de uma comissão especializada em atender ocorrências de intolerância religiosa.
CASO CALAS
Na obra, Tratado Sobre a Tolerância, escrita por Voltaire, publicada pela Edipro, o filósofo iluminista francês, registra um dos processos jurídicos mais famosos da história, o julgamento de Jean Calas. Em outubro de 1761 seu filho, Marc-Antoine, foi encontrado morto sem sinais de violência. Já Calas, que era um protestante em uma França oficialmente católica, foi considerado culpado.
A intolerância religiosa levou a um julgamento precipitado, à prisão, banimento de sua família, e à tortura e morte de Jean Calas. Vítima da intolerância por sua religião, o pai injustiçado motivou uma das maiores revoltas contra o sistema jurídico da história da França e uma das mais inspiradoras e importantes obras de Voltaire.
LICENÇA PARA REZAR
Hoje as vítimas preferenciais da intolerância religiosa têm sido os praticantes de cultos afro-brasileiros, em números impressionantemente crescentes. Mas houve também tempos, que devem ter durado até anos 1950, quando manifestações ritualísticas de matriz africana exigiam licença da polícia. E eram também perseguidas por alguns setores católicos no Brasil.
TRAFICANTES
Hoje a coisa chegou a tal absurdo que um grupo – chamado de “Traficantes Evangélicos” – promoveu recentemente no Rio de Janeiro a destruição de terreiros de umbanda. Independente do absurdo desse grupo, cuja orientação religiosa evangélica deve ser conferida, é em igrejas pentecostais onde mais ocorrem perseguições a religiões afro-brasileiras.
