Uma pastora evangélica de Botucatu repetiu na semana o triste gesto do bispo da Universal, de anos atrás, quebrando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil para os católicos. O fato, de ampla repercussão nas redes sociais, foi novo gesto de intolerância religiosa.
Lembram-se de outro, ano passado, quando uma menina, crente do candomblé, foi agredida no Rio, por estar vestida “à caráter”?
Haverá sempre fanáticos religiosos dispostos a esses gestos e outros mais.
O argumento da pastora para quebrar a santa é “primitivo”: o de que a imagem representaria “idolatria”. Isso esquecendo que a acusação pode ser leviana, sob a ótica histórica: na própria bíblia, vê-se que a Arca da Aliança era adornada por imagens de querubins.
PASTORA QUEBRA (2)
O que eu gostaria de saber é se esses ditos “iconoclastas” evangelicais estariam dispostos a ‘quebrar’ publicamente os ídolos a que se apegam, como o da servidão incondicional ao dinheiro, ao deus poder sobre as pessoas (as mais simples, sobretudo), ao “pecado” de controlar multidões de aflitos e desesperados com promessas do paraíso mediante o pagamento de dízimos e ofertas?
Será que a pastora, e os que partilham de suas posições, estariam dispostos a fazer manifestação retumbantes (passeata?) contra líderes religiosos como Eduardo Cunha (ex-Assembleia de Deus e hoje na Sara Nossa Terra) que se apropriam de dinheiro público, corrompem e se corrompem de todas as maneiras?
