Assessoria – A gestão de lubrificantes, historicamente tratada como uma operação de rotina industrial, passa por uma transformação silenciosa e estratégica. Pressionadas por metas ambientais, exigências regulatórias e compromissos públicos de descarbonização, grandes empresas começam a incorporar a troca de óleo, e todo o seu ciclo de vida , como parte relevante das agendas ambiental, social e governança.
O movimento ganha força em um contexto de escala. O mercado global de lubrificantes produziu cerca de 44 bilhões de litros em 2024 e deve ultrapassar 47 bilhões até 2026, o que amplia o impacto ambiental e econômico desse insumo dentro das cadeias produtivas. No Brasil, a produção de óleos básicos cresceu 26% em 2024, acompanhando a demanda por produtos mais tecnológicos e eficientes.
Nesse cenário, a lógica operacional muda: reduzir trocas desnecessárias, aumentar a vida útil dos fluidos e garantir destinação correta do óleo usado passa a ser indicador de eficiência , e não apenas de manutenção.
“A lubrificação deixou de ser um custo invisível para se tornar um indicador direto de sustentabilidade e performance industrial”, afirma Luiz Alberto Gomes Jr., diretor-executivo da ACIPAR Lubrificantes, distribuidora paranaense. “Empresas que monitoram melhor seus ativos consomem menos óleo, geram menos resíduos e ainda reduzem consumo energético.”
A digitalização acelera essa virada. Com a Indústria 4.0, sensores e sistemas conectados permitem o monitoramento em tempo real das condições do lubrificante, ajustando planos de manutenção conforme o uso real dos equipamentos. O resultado é a redução de desperdícios, menos paradas e menor geração de resíduos, um tripé que dialoga diretamente com metas ESG.
A mudança também é impulsionada pela lógica da economia circular. No Brasil, o setor já opera sistemas estruturados de logística reversa, com reaproveitamento de até 70% do óleo lubrificante usado por meio do rerrefino. A prática reduz a dependência de petróleo, diminui as emissões e atende às exigências legais cada vez mais rigorosas.
Além do impacto ambiental, há ganhos diretos no caixa das empresas. Lubrificantes de maior desempenho permitem intervalos mais longos entre trocas, reduzindo consumo e descarte. Equipamentos melhor lubrificados também operam com menor atrito, o que reduz o consumo de energia e amplia a vida útil de componentes, fatores que influenciam diretamente indicadores financeiros e operacionais.
Esse conjunto de fatores explica por que a troca de óleo, antes vista como uma tarefa operacional, passa a ocupar espaço nas estratégias corporativas. Em um ambiente de pressão por eficiência e transparência, até os insumos mais básicos entram no radar da governança.
Na prática, o que se observa é uma mudança de mentalidade: não se trata mais de trocar óleo no prazo, mas de gerir um recurso crítico com impacto ambiental, econômico e reputacional. E, nesse novo cenário, a lubrificação deixa de ser detalhe técnico para se consolidar como ativo estratégico dentro da agenda ESG.
