terça-feira, 24 fevereiro, 2026
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Herança milionária sob o signo de agressões familiares

O caso que segue não corre exatamente em segredo de justiça. Mas dele pouco tem transpirado. Caminha em silêncio, atribuído sobretudo aos expressivos valores envolvidos – cerca de US$ 450 milhões, segundo fontes da área de construção civil.

Deve ser um dos mais expressivos inventários correndo em Curitiba.

O montante tão expressivo é quanto compreende esse inventário judicial que está no epicentro do problema, recheado de imóveis, boa parte em Piraquara, Araucária e Santa Felicidade, São José dos Pinhais, Rio Branco…

Os desencontros começaram quando o velho patriarca, R, 87, um gênio da construção e da administração do imenso patrimônio apenas por ele formado, morreu há 3 anos.

Deixou dois filhos e uma filha.

FUNCIONÁRIO PÚBLICO

Ela, casada com um funcionário da Prefeitura de Curitiba, acabou se impondo como inventariante, embora estivesse nos últimos anos na gerência da empresa, que, no entanto, sob sua gestão só começou a entrar em declínio. Com ela, as ações trabalhistas e execução de dívidas tornaram-se um ritual diário.

‘Diálogo e administração não são seus fortes’, segundo o irmão R.

A beligerância das partes, envolvendo o irmão mais velho, sozinho, e irmã e outro irmão, foi atingindo temperaturas inimagináveis.

Por exemplo, o mais velho, R, foi proibido de entrar na sede da empresa familiar: o segredo da fechadura foi trocado e ele impedido de frequentar o espaço pela antiga inventariante.

Com a recente decisão judicial que retirou da irmã as funções de inventariante, nomeando para seu lugar um interventor da Justiça, o termômetro foi às alturas

FORÇA BRUTA

O lance de força bruta, mais recente, promovido pelo marido da ex-inventariante, só não virou tragédia porque R não perdeu a cabeça: enfrentou com argumentos a invasão de seu domicílio, no Alto da Rua XV, e a tentativa do cunhado de levar “manu militar” um carro de posse de R.

O curioso é que o cunhado promoveu a invasão em pleno horário de expediente na Prefeitura, fazendo-se acompanhar de dois PMS. Não tinha ordem judicial para fazer “arresto”. Tinha – pasmem – isso sim, uma “ordem” assinada pela esposa-ex-inventariante, com data de 19 de agosto. Acontece que ela fora destituída das funções pela Justiça em 5 de agosto passado…

AVANÇANDO SINAL

Na pauta das acusações e defesa, tentando defender-se e manter o papel de inventariante, a moça comete “pecados mortais”, como assegura R. O mais grave deles: a jovem acusa o pai morto de ter “sido um péssimo administrador, responsável pelo caos da empresa”.

Ocorre que o pai há cinco anos antes de sua morte estava distante da construtora, doente.

O caso tem todos os componentes de “thriller”: R. acossado, ameaçado por telefonemas que o acordam de madrugada, está pensando até em contratar segurança pessoal. “Mas não tenho recursos para pagar”, lamenta, enquanto, com seus advogados, começa a investigar lances da vida confortável da irmã e cunhado: no momento procura identificar a legalidade do aprazível terreno de 2 mil metros, em Santa Felicidade, área nobre, onde a irmã construiu sua casa.

– O terreno é da empresa. Mas ela alega que ele passou a fazer parte de seu patrimônio pessoal, ‘para pagar pró-labores’, explica R enquanto mira em outros “avanços de sinais” da inventariante, segundo garante.

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