domingo, 28 junho, 2026
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GLEISI E PAULO BERNARDO: SE NÃO HÁ PROVAS, NÃO HÁ CONDENAÇÃO

Raquel Dodge: acusação sem prova; Deltan Dallagnol: cai reputação da Lava Jato
Raquel Dodge: acusação sem prova; Deltan Dallagnol: cai reputação da Lava Jato

Espanta o fato da Procuradoria Geral da República ter levado até a Segunda da Turma do Supremo Tribunal Federal, delação premiada inserida na Lava-Jato que não tinha sequer um naco de prova. Contrapõe até mesmo afirmação de procuradores e do juiz federal Sérgio Moro de que só a colaboração premiada (delação no popular) não bastava para consolidar uma acusação contra um réu. Era preciso apresentar documentação, anexar provas, demonstrar extratos bancários ou dar conhecimento da circulação do dinheiro ilícito. Nada disso foi feito. Ao menos no processo que envolve a senadora e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e seu marido Paulo Bernardo da Silva, no caso de alegado milhão repassado à parlamentar em um shopping de Curitiba.

MISERABILIDADE PROCESSUAL

Se a Procuradoria Geral, através da senhora Raquel Dodge, viu base legal para processar a senadora e seu marido, afundou em um pântano de engano.

Pântano que põe em dúvida a eficácia da polícia federal e do Ministério Público no ajuntamento de provas, antes de expor a miserabilidade processual, como tal se revelou.

DISSE-ME-DISSE

Da parte deste colunista, ouviu-se várias vezes ao longo do caminho tortuoso que envolve o julgamento de políticos em foro privilegiado – até agora o recorde de condenar um sequer permanece intacto – que não se levaria à mais alta corte brasileira o disse-me-disse de um delator. Foi o que se fez.

O ELIOT NESS DE CURITIBA

À Segunda Turma não restou outra decisão – e não poderia haver – senão a absolvição de Gleisi e Paulo Bernardo. Outros processos há em curso, mas neste caso, o primeiro, a fama de “justiceiro implacável” do Ministério Público caiu por terra. Não se sabe se o procurador Deltan Dallagnol interferiu na concepção e redação da acusação. É fato, no entanto, que ele é dado a arroubos de Eliot Ness e que gosta de posar para as câmeras ao lado de sua equipe como um homem da lei acima de qualquer suspeita.

Nada disso se comprova. Se o processo foi contaminado e Dallagnol tem pouco ou muito a ver com isso, eis o Power Point atacando de novo. Uma lástima para a reputação da Lava-Jato.

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