
(O Globo)
O deputado federal Marcelo Freixo, pré-candidato ao governo do Rio, entregou nesta semana sua carta de desfiliação do PSOL e vai migrar para o PSB ainda neste mês. O GLOBO apurou que Freixo já iniciou a montagem de sua equipe de campanha, que inclui egressos dos governos Fernando Henrique (PSDB) e Temer (MDB), para debater e formular seu futuro programa de governo.
Sem aval do PSOL para formar alianças fora da esquerda, Freixo adiantou sua desfiliação, em comum acordo com a cúpula nacional da sigla — caso contrário, precisaria aguardar a abertura da janela partidária em março de 2022, sob risco de perda de mandato.
Na quinta-feira, Freixo se reuniu no Rio com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com os deputados federais Alessandro Molon (PSB) e Jandira Feghali (PCdoB). O PT vem acenando com um apoio a Freixo ao governo, abrindo mão de candidatura própria no estado. Na reunião, Lula defendeu uma frente ampla para as eleições estaduais e, principalmente, federal. Fez acenos ao PSB e evitou críticas ao PDT, sigla do possível candidato à Presidência Ciro Gomes.
Freixo estava filiado ao PSOL desde a fundação do partido, em 2005. Pela sigla, elegeu-se deputado estadual por três mandatos seguidos (2006, 2010 e 2014). Em 2018, foi o segundo deputado federal mais votado do Rio, com 342 mil votos, atrás apenas de Hélio Lopes (PSL-RJ).
Em entrevista ao GLOBO em abril, Freixo havia anunciado intenção de ser candidato ao governo do Rio em 2022 encabeçando uma “frente ampla contra o bolsonarismo”, que deveria incluir nomes como o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que foram seus adversários em eleições anteriores. Hoje, Lula e Paes devem almoçar no Palácio da Cidade, sede da prefeitura. Embora cogite apoiar Freixo, o prefeito tenta emplacar a candidatura de Felipe Santa Cruz, atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Aliança fora da esquerda
Desde que Freixo defendeu uma aliança com lideranças de centro em 2022 como única possibilidade de construir uma candidatura viável no estado, o PSOL vem reiterando posicionamentos contrários a alianças fora da esquerda, o que acelerou a desfiliação do deputado.
Na articulação de sua pré-campanha, Freixo tem conversado com o economista André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real e assessor especial da Presidência de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Resende também foi presidente do BNDES. A ideia de Freixo é Resende seja um dos redatores de seu plano econômico. Recentemente, o economista participou de debates com Freixo no qual ambos criticaram o teto de gastos, implementado na gestão de Michel Temer (MDB).
