domingo, 22 fevereiro, 2026
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Flávio Arns e Borges da Silveira disputam a Academia de Letras

Adherbal Fortes Sá Junior e Eduardo Virmond
Adherbal Fortes Sá Junior e Eduardo Virmond

Dia 13 de maio próximo a Academia Paranaense de Letras deverá escolher, durante sua reunião-café da manhã, o nome daquela (a) que substituirá Flora Camargo Munhoz da Rocha na APL. Os nomes estão postos, são quatro: professora Rigoni, da UFPR; o secretário de Estado de Assuntos Estratégicos, Flávio Arns; o ex-ministro da Saúde, Luiz Carlos Borges da Silveira; e o escritor Jair Santos Junior, de Campo Mourão.

Acho que Arns e Borges da Silveira são os com maior chance de eleição.

Particularmente, meu “feeling” leva-me a apostar em Flávio Arns, hoje um benemérito da APL, pois foi com ele, quando vice-governador, que começaram a materializar-se as ações para passar para a Academia de Letras o Belvedere do Alto do São Francisco.

2 – SENTIMENTOS AMBÍGUOS

Independente dos resultados do dia 13, vale apena analisar, como segue:

A Academia Paranaense de Letras desperta sentimentos ambíguos na comunidade. O que não chega a surpreender, pois esse é mais o menos o ‘destino’ de certas instituições que se marcam por uma certa independência de ação em relação à opinião pública. Instituições, como a APL.

Para o público jovem, consumidor e criador de ações culturais em Curitiba – especialmente no âmbito da prosa e verso – a nossa Academia goza de rejeição. Ou é ignorada. Os moços ou a ignoram – “o que é isso?” – ou simplesmente a anatematizam como “velharia, relíquia de tempos gongóricos”.

Mas há o outro lado da moeda. Como o dos que até se digladiam por uma cadeira da instituição que, a exemplo da Academia Brasileira de Letras (ABL) está longe de ser apenas um cenáculo, como se entende o vocábulo numa perspectiva histórica.

3 – GERA AMBIÇÕES

Hoje a Academia Paranaense de Letras provoca ambições não apenas de escritores de boa, razoável e/ou péssima qualidade. Há uma outra linha de notáveis, de grande projeção na comunidade, não necessariamente importantes pelo que escreveram ou deixaram de escrever, em busca das “glórias” da chamada imortalidade.

E esse modelo de aglutinar notáveis da vida extra letras, de gente que é parte de um universo mais amplo (sobretudo político), tomou como modelo da Academia Francesa. E também a ABL, que teve entre seus imortais Getúlio Vargas, Roberto Marinho; ou que abriga em seus quadros gente como o ex-presidente José Sarney e Fernando Henrique Cardoso…

Essas observações servem para esclarecer: gostem ou não os intelectuais de vanguarda – ou que pensam ser vanguarda – a Academia Paranaense de Letras se encaixa bem nessa perspectiva: não é mais – como o foi no passado – apenas um ‘abrigo’ de escritores, muito deles apenas provincianos. Seriam, como diria Wilson Martins, “glórias municipais”, cognome pejorativo que não se ajusta a média dos acadêmicos da APL.

4 – BELMIRO CASTOR

Há um ano a APL perdeu um de seu membros mais importantes na montagem do pensamento econômico do Paraná moderno, Belmiro Castor; Eduardo Rocha Virmond, um libertário que presidiu a OAB-PR é respeitado por sua visão crítica em artes plásticas e música; Adherbal Fortes Sá Junior é uma das melhores testemunhas da vida pública do Paraná, no século 20; Clemente Ivo Juliatto, ex-reitor da PUCPR, tem uma consistente obra, como escritor de livros sobre educação aceitos no país todo; o criminalista René Dotti, um nome nacional em Direito.

Enfim, há “históricos acadêmicos”, como Léo de Almeida Neves. E outros que, no devido tempo, abordarei.

A APL mudou, hoje se equilibra entre momentos de beletrismo, ao lado de maduras ações em pesquisas e criações de obras importantes para o país, como a trilogia do acadêmico Laurentino Gomes.

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