Fringe – Um dos eventos culturais mais aguardados do ano, o Festival de Curitiba acontece de 30 de março até 12 de abril, com grandes nomes da dramaturgia nacional e internacional. Com mais de 435 atrações em diferentes teatros, espaços culturais, ruas, praças e instituições de Curitiba e da Região Metropolitana, o Festival de Curitiba divulgou a programação oficial de sua 34ª edição.
O evento programa espetáculos teatrais premiados e aclamados pelo público, assim como estreias nacionais, dança, circo, humor, música, oficinas, shows, performances e gastronomia. A venda de ingressos inicia nesta terça-feira (10) pelo site e pela bilheteria física no Shopping Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127 – Piso L3, Centro Cívico).
“Já são 34 edições, celebrando o teatro, a arte e a cultura de vários cantos do país e do mundo, sempre com uma programação diversa, acessível e pensada para todas as pessoas, promovendo o mercado da economia criativa de Curitiba e região”, explica o diretor do Festival de Curitiba, Leandro Knopfholz. Em 2025, o evento recebeu mais de 200 mil pessoas em todas as suas atrações.
Para este ano, estão confirmados espetáculos com nomes como Malu Galli, Du Moscovis, Herson Capri, Natália do Vale, e Walter Casagrande Júnior, bem como direções de Nelson Motta, Miguel Falabella, Rodrigo Portella, Inez Viana, Fernando Philbert, além de grupos e companhias consagradas como Grupo Galpão, Grupo Corpo, Armazém Cia de Teatro, Coletivo Prot{agô}nistas, Grupo Magiluth, Coletivo Negro, Companhia de Teatro Heliópolis, Súbita Cia de Teatro, Corpo Rasteatro, entre outros.

Confira a programação das mostras e eventos culturais que fazem parte do 34º Festival de Curitiba:
Mostra Lucia Camargo
Com mais de 30 espetáculos selecionados pela curadoria formada pela produtora e pesquisadora Daniele Sampaio, a atriz e diretora Giovana Soar e o dramaturgo e crítico teatral Patrick Pessoa, a Mostra Lucia Camargo celebrará a arte do teatro como uma arte essencialmente coletiva, homenageando grupos teatrais importantes nas artes cênicas do país e solenizando a memória de grandes nomes que já partiram.
“A seleção feita pela curadoria para esta edição é muito preciosa, não só pela qualidade dos espetáculos selecionados, mas pela solidificação e celebração de grupos e companhias que fizeram história nessas mais de três décadas do Festival de Curitiba. Além disso, pela riqueza plural e geográfica, evidenciando o quanto temos trabalhos primorosos espalhados pelo Brasil nos últimos tempos”, comenta a também diretora do Festival de Curitiba, Fabíula Passini.
A Mostra Lucia Camargo contará ainda com espetáculos internacionais, com obras vindas da Alemanha, Argentina e Moçambique. O Teatro Guaíra receberá espetáculos como o musical “Tim Maia – Vale Tudo”, homenageando um dos maiores artistas de todos os tempos no país, com roteiro de Nelson Motta e produção de seu filho Carmelo Maia; a estreia nacional de “Na Marca do Pênalti”, em que o comentarista esportivo, jornalista e ex-futebolista brasileiro Walter Casagrande Júnior revisita sua carreira e os momentos mais difíceis de sua vida.

O aclamado drama “Dois Papas”, que marca a 1ª montagem internacional do texto de Anthony McCarten, autor do livro homônimo e do roteiro do filme da Netflix, a comédia dirigida por Miguel Falabella, “A Sabedoria dos Pais”, que pontua o reencontro do paranaense Herson Capri com a atriz Natália do Vale e que comemora os 50 anos de carreira da dupla; e Piracema, novo espetáculo de dança do Grupo Corpo, que marca os 50 anos da companhia em um balé que sinaliza a continuidade e renovação do mais importante grupo de dança contemporânea do Brasil.
Guairinha
No Guairinha, o Grupo Galpão expande em “(Um) Ensaio Sobre a Cegueira” adaptação do texto de José Saramago que foi aclamado pela crítica no ano passado; já a Armazém Companhia de Teatro apresenta “Dias Felizes”, um elogiado drama que constrói um jogo cruel e fascinante, em que cada palavra dita ressoa como um eco entre a esperança e o delírio.
Quem também estreia no Festival de Curitiba é Juana Profunda em “O Grande Cabaré Combo Drag Week”, que celebra os seus 10 anos de trajetória drag, com a participação especial de Miranda Lebrão (RJ), participante da 1ª temporada do Drag Race Brasil e também no RuPaul’s Drag Race Global All Stars; o espetáculo de circo negro do Coletivo Prot{agô}nistas, “{FÉ}STA”, em que apresentação se torna um território de memória e reinvenção, e que a poesia, risco e humor se entrelaçam à força ancestral de quem celebra seus ritos; e “Mulher em Fuga”, com a renomada atriz Malu Galli e o ator Tiago Martelli, direção de Inez Viana e dramaturgia de Pedro Kosovski.
Teatro Zé Maria
Já o Teatro José Maria Santos recebe “A Boca Que Tudo Come Tem Fome (Do Cárcere às Ruas)”, da Companhia de Teatro Heliópolis com dramaturgia de Dione Carlos, que usa elementos da cultura afro-brasileira para retratar a luta de quem tenta reconstruir a vida após a prisão; o espetáculo contemporâneo da Súbita Companhia de Teatro, “Deriva”, que ativa os sentidos e provoca deslocamentos de percepção ao fundir o real e o ficcional, desestabilizando certezas e abrindo espaço para o encantamento do cotidiano; bem como “Sidarta”, obra livremente inspirada no livro homônimo de Hermann Hesse, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, sendo indicada ao Prêmio Shell em Iluminação; e a peça “Cabo Enrolado”, que evoca o imaginário periférico de maneira poética, fazendo uso da musicalidade e da dança presentes na cultura urbana paulistana, tais como funk e hip-hop.

SESC da Esquina
No SESC da Esquina há o espetáculo “Reparação”, um drama contemporâneo inspirado em um caso real de violência contra uma jovem, conduzindo o público a um salão de beleza dos anos 80, onde manicure e cabeleireira atuam em cena; a montagem “Jonathan”, que aborda a biografia da centenária tartaruga, considerado o ser mais antigo vivo na Terra, e o processo de amadurecimento do jovem Jonathan, às voltas com a realidade de ser negro em um mundo que o quer submisso; a peça internacional de dança “Brace”, com o artista moçambicano Edivaldo Ernesto como uma das vozes mais potentes da dança contemporânea mundial, chegando agora no Brasil em uma turnê inédita; o contemporâneo “Pai Contra Mãe ou Você Está Me Ouvindo”, com concepção, dramaturgia e direção geral de Jé Oliveira com uma adaptação livre do conto de Machado de Assis que, ao explorar a herança escravocrata, dialoga com as desigualdades raciais contemporâneas; e “Veias Abertas 60 30 15 Seg”, inspirado no livro ‘As Veias Abertas da América Latina’, de Eduardo Galeano, que percorre o território latino-americano revelando suas feridas históricas, contradições profundas e lutas ainda não cicatrizadas.
Cleon Jacques
O Teatro Cleon Jacques recebe “Vinte!”, projeto que combina música, teatro e artes visuais em uma experimentação cênica e sonora inspirada no choro, jazz e samba, ritmos fundamentais na formação da identidade musical negra; também a peça-instalação de dança “A Bailarina Fantasma”, criada a partir da icônica e polêmica escultura francesa ‘A Bailarina de 14 anos’, do escultor Edgar Degas, em fricção com os relatos autobiográficos da bailarina brasileira Verônica Santos; e o aclamado espetáculo de dança internacional, direto da Argentina, “Bailarinas Incendiadas”, baseado na pesquisa documental de Ignacio González, especialista em história da dança, em que cinco artistas narram histórias de eventos sombrios ocorridos em meados do século XIX, sobre bailarinas queimadas vivas pelas lâmpadas a gás usadas nos teatros da época.

Opera de Arame
A Ópera de Arame, local que foi construído para abrigar o primeiro espetáculo da história do Festival de Curitiba, volta a receber peças da Mostra Lucia Camargo, com a nova montagem de “A Máquina”, comédia que marcou a história da dramaturgia brasileira e revelou ao país os talentos de um quarteto pouco modesto: Wagner Moura, Lázaro Ramos, Gustavo Falcão e Vladimir Brichta – até então desconhecidos do grande público; e “Édipo REC”, novo espetáculo do elogiado Grupo Magiluth criado a partir do clássico grego Édipo Rei de Sófocles e que marca os 20 anos de pesquisa continuada do grupo.
