Assessoria – Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, passará por uma das maiores intervenções viárias de sua história. Com um crescimento populacional acelerado – de 81 mil habitantes em 2010 para 149 mil em 2022 – a cidade enfrenta congestionamentos diários na BR-116, principal via de ligação com Curitiba e municípios da região Sul do Paraná.
Para solucionar o problema, o Governo do Estado, em parceria com a Prefeitura, anunciou um investimento de R$ 160 milhões em um projeto de mobilidade urbana e intervenções arquitetônicas e paisagistas. A iniciativa prevê a construção de dois viadutos, revitalização das vias marginais e melhorias em áreas de lazer. O projeto foi desenvolvido pela Geplan, empresa especializada em planejamento, projetos e gerenciamento de obras.
A engenheira civil e coordenadora de projetos da Geplan, Natália Smaniotto Bach, explica que o primeiro desafio do projeto foi mapear os principais problemas de mobilidade enfrentados pela população. Para isso, foram realizados pesquisas e questionários em escolas, terminais urbanos e oficinas comunitárias. “Buscamos acessar famílias de diferentes regiões da cidade para obter um diagnóstico mais preciso”, afirma.
Tecnologia
Após a coleta de dados, a Geplan reuniu representantes de diversos órgãos técnicos e reguladores, incluindo a Agência de Serviços Metropolitanos do Paraná (AMEP), a concessionária Arteris, a prefeitura e a Paraná Projetos. O objetivo foi alinhar o projeto com diretrizes já existentes para evitar interferências e otimizar tempo no desenvolvimento dos projetos e, posteriormente, na execução da obra.
Inicialmente, analisado o fluxo do sistema viário da cidade e da região. Em seguida, as contagens de tráfego foram analisadas por meio de um software de engenharia, que permitiu simular diferentes cenários e prever a evolução da mobilidade a curto, médio e longo prazo. “Essa tecnologia nos permitiu testar soluções e avaliar como o trânsito se comportaria com a inclusão dos novos elementos viários, como ruas, rotatórias, semáforos e binários”, explica Natália.
Os viadutos serão implantados nas ruas Nelson Claudino dos Santos e Jatobá, ajudando a aliviar o tráfego de cerca de 100 mil veículos que passam por este trecho diariamente. A redução do número de semáforos e a reestruturação das marginais também devem melhorar o fluxo e minimizar riscos de acidentes.
Requalificação urbana
Além das obras na BR-116, o projeto contempla a revitalização de espaços urbanos. A Praça Brasil e o Parque Verde passarão por melhorias, incluindo a construção de uma ponte sobre o vertedouro, ampliação do estacionamento, instalação de espaços gastronômicos para food trucks, construção de quadras esportivas e requalificação do playground com piso emborrachado. Também serão criados espaços para esportes aquáticos.
As ruas Lapa, Paranaguá e a Avenida Paraná serão revitalizadas para facilitar o acesso ao Parque Verde e estimular o turismo local. A infraestrutura viária foi planejada para integrar melhor esses espaços, incluindo estacionamento adequado, ciclovias, calçadas, pistas de corrida e caminhada.
O projeto também levou em consideração princípios de sustentabilidade na escolha dos materiais e tecnologias construtivas. “Avaliamos fatores como resistência e durabilidade dos materiais, adequação às normas de segurança, impacto ambiental e custo-benefício”, explica Natália. “A experiência com materiais e técnicas aplicadas em outros projetos também influenciou as decisões para garantir uma execução eficiente e de longa duração”, conclui.
A expectativa é que as obras comecem ainda este ano, com previsão de entrega em 24 meses e impacto direto no desenvolvimento econômico de Fazenda Rio Grande.