O jornalista Helio Fernandes, completou nesta quarta (17) 98 anos de idade.
Por Helio Puglielli (*)

Iniciou sua carreira aos treze anos, na revista O Cruzeiro, lá permanecendo 16 anos, junto com seu irmão mais novo Millôr Fernandes.
Depois foi para o Diário Carioca, onde foi chefe da seção de esportes chegando ao cargo de secretário, semelhante ao atual editor. Quando o jornal fechou, foi ser diretor da revista Manchete.
ASSESSOR DE JK
Foi assessor de imprensa de Juscelino Kubitschek durante a campanha à presidência da República em 1955, quando viajou por todo o país, em companhia do então candidato. Após a campanha, polêmico como sempre, volta ao jornalismo de oposição ao governo que ajudara a eleger.
Trabalhou, também, na televisão, num programa líder de audiência, onde atuou brilhantemente, comentando o cenário político.
COMEÇO DOS 1960
No início da década de 1960, adquire o jornal Tribuna da Imprensa, fundado em 1949 por Carlos Lacerda, que era então o primeiro governador eleito do recém-criado estado da Guanabara. Vários jornalistas importantes dessa época ganharam destaque com ele, como Paulo Francis e Sebastião Nery.
Sempre polêmico, foi perseguido por João Goulart e continuou a ser perseguido pelo regime militar de 1964. Depois, foi redator do manifesto pela Frente Ampla, lançado por Juscelino Kubitschek, Carlos Lacerda e João Goulart. Foi candidato a deputado federal pelo MDB, liderava as pesquisas, mas teve seus direitos políticos cassados em 1966.
MUITAS PRISÕES
Com a censura à Imprensa imposta principalmente com o AI-5 em 1968, foi preso várias vezes, inclusive no DOI-CODI, e afastado compulsoriamente do Rio de Janeiro obrigado a passar períodos de confinamento em Fernando de Noronha, Pirassununga e no Pantanal de Mato Grosso. Ao contrário de outros proprietários de jornal, jamais aceitou a censura e nunca deixou de tentar publicar as notícias no período.

O MAIS CENSURADO
A Tribuna foi o jornal mais censurado do país, e ficou sob intervenção militar de 1968 a 1978. A sede do jornal sofreu um atentado a bomba, poucos dias antes do RioCentro, no final da ditadura militar, em 1981, mas no dia seguinte o jornal já estava nas bancas.
Helio é pai dos jornalistas Rodolfo Fernandes e Helio Fernandes Filho e irmão do notável jornalista e humorista Millôr Fernandes, todos já falecidos.
