domingo, 5 julho, 2026
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FATO/FOTOS: Anchieta, educador, está no plenário do conselho

A presidente do Conselho Estadual de Educação, Maria das Graças Figueiredo Saad, descerra o quadro do patrono da sala nobre do CEE/PR, com o ex-presidente Oscar Alves e o autor da pintura.

DESTAQUE

Um dos importantes nomes de sua geração – em que avultam nomes como Fernando Calderari, João Osório e Juarez Machado -, Cleto de Assis é artista plástico de múltipla presença na vida cultural. Esteve na fundação de jornal, em Londrina, onde também dirigiu o Departamento de Cultura da UEL, foi diretor do MEC, no Governo Itamar Franco, e também secretário de Comunicação do segundo governo Ney Braga. Sua história inclui o recebimento de prêmios diversos por sua pintura em salões oficiais.

No dia 19, Cleto, que além de professor é artista plástico e poeta, prestou uma homenagem ao Conselho Estadual de Educação (CEE/PR), doando um quadro de sua autoria para decorar a Sala José de Anchieta, onde se realizam as reuniões do Conselho Pleno daquele órgão colegiado. O ato de doação foi realizado, em sessão solene do Conselho, no último dia 19 de março, coincidente com o 485º aniversário do jesuíta, beatificado em 1980 pelo Papa João Paulo II e canonizado em 2014 pelo Papa Francisco.

FALA DIDÁTICA

José de Anchieta, na visão alegórica de Cleto de Assis

Na entrega do quadro, Cleto de Assis discursou sobre o precursor da educação brasileira. “Não esperem ver um retrato clássico ou quase fotográfico do jesuíta luso-brasileiro, homenageado com seu nome nesta sala do Conselho Estadual de Educação do Paraná. Não existem registros iconográficos de sua pessoa física, apenas a imaginação de alguns pintores, que lhe deram a imagem de uma pessoa combalida, de cabelos grisalhos e já com a doença que o distanciou das praias brasileiras a tomar conta do corpo e do espírito”, disse.

ANCHIETA MULTIFORME

Pensei em Anchieta como o primeiro grande comunicador do solo brasileiro, mais importante até do que Pero Vaz e Caminha, escrivão do primeiro relatório sobre as terras de Santa Cruz. Pensei em Anchieta como educador, razão porque recebeu a homenagem do Conselho Estadual de Educação do Paraná [ao denominar a sala do Conselho Pleno]. Pensei em Anchieta em sua visão humanizante dos índios brasileiros, em uma época em que se discutia se os indígenas tinham alma.

ALEGORIA DE 1920

Fui ao encontro de uma alegoria, baseado em um retrato pintado por Oscar Pereira da Silva, em 1920, e que pertence ao acervo do Museu Paulista da USP. Pensei em um Anchieta que cumpria o sonho registrado no último verso do poema dedicado a Maria, aqueles lendariamente escritos nas areias de Iperoig [atual Ubatuda, SP]: “Vivere dulce dies, hic mihi dulce mori!” (Viver e morrer com prazer, este é o meu grande desejo).

GRAMÁTICAS

Cleto também doou, na ocasião, dois exemplares, de distintas edições, da gramática de José de Anchieta – “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, para o acervo da Biblioteca Helena Kolody, do Conselho. Essa obra de Anchieta foi, muito provavelmente, o primeiro livro escrito no Brasil, embora publicado na Europa, em 1595, dois anos antes de sua morte.

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