terça-feira, 7 abril, 2026
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Exames de sangue podem indicar câncer antes dos sintomas

Assessoria – A ideia de que o câncer “aparece do nada” ainda é comum, mas não reflete o que a ciência tem demonstrado. Em muitos casos, o organismo já apresenta sinais de desequilíbrio anos antes do surgimento dos primeiros sintomas, e parte desses indícios pode ser identificada em exames laboratoriais.

No Brasil, o cenário reforça a importância da prevenção. De acordo com a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, considerando tumores de pele não melanoma. Quando esses casos são excluídos, a projeção é de aproximadamente 518 mil novos diagnósticos anuais. Os dados também indicam um aumento de cerca de 10,9% na incidência da doença em relação ao triênio anterior (2023–2025). Entre os tipos mais frequentes, destacam-se os cânceres de próstata, entre os homens, e de mama, entre as mulheres, seguidos por tumores de cólon e reto e de pulmão.

Apesar desse cenário, uma parcela significativa da população ainda realiza exames apenas quando há sintomas, o que reduz as chances de identificação precoce e tratamento mais eficaz. Segundo o responsável técnico do LANAC, Marcos Kozlowski, a prevenção passa por uma mudança na forma de encarar os exames laboratoriais. “O câncer não surge de forma súbita. Ele é resultado de um processo que envolve alterações metabólicas, inflamatórias e hormonais ao longo do tempo. Muitos desses sinais podem ser detectados antes mesmo de qualquer manifestação clínica”, explica.

Entre os principais marcadores que podem indicar que algo não está bem no organismo, estão:

Resistência à insulina

Mesmo com glicemia dentro da normalidade, níveis elevados de insulina podem indicar alterações metabólicas. “A hiperinsulinemia está associada a processos inflamatórios e ao estímulo de crescimento celular, fatores que podem favorecer o desenvolvimento de alguns tipos de câncer”, afirma Kozlowski.

Inflamação crônica de baixo grau

Marcadores como PCR ultrassensível (PCR-us) e ferritina ajudam a identificar inflamações persistentes no organismo. “Esse tipo de inflamação é silencioso, mas pode criar um ambiente favorável para o desenvolvimento de doenças crônicas, incluindo tumores”, diz.

Ferritina elevada

Além de indicar os estoques de ferro, a ferritina também funciona como marcador inflamatório. Níveis elevados, dependendo do contexto clínico, podem estar associados a maior risco e pior prognóstico em alguns tipos de câncer.

Deficiência de vitamina D

A vitamina D tem papel importante na regulação do sistema imunológico e no controle do crescimento celular. Estudos associam níveis baixos a maior risco e pior evolução de determinados tumores.

Alterações hepáticas

Mudanças em enzimas como a GGT podem indicar sobrecarga no fígado e alterações nos processos de desintoxicação. “Esses fatores já foram associados ao aumento do risco de cânceres, especialmente no fígado e no trato digestivo”, explica o especialista.

Desequilíbrios hormonais

Alterações em hormônios como estrogênio e progesterona, além de proteínas como a SHBG, podem favorecer o desenvolvimento de tumores hormônio-dependentes, como alguns tipos de câncer de mama.

Apesar da relevância desses marcadores, muitos check-ups ainda são focados apenas na detecção de doenças já instaladas. “Existe uma oportunidade de evoluir o modelo de acompanhamento da saúde, incorporando uma visão mais preventiva e personalizada. O exame laboratorial não deve ser visto apenas como diagnóstico, mas como ferramenta de antecipação de riscos”, reforça Kozlowski.

Para o especialista, a mudança de comportamento é essencial diante do avanço da doença no país. “Com o aumento no número de casos, identificar sinais precoces se torna ainda mais importante. A saúde não deve ser acompanhada apenas quando algo está errado. Antecipar riscos pode fazer toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida do paciente”, conclui.

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