
Pesquisador e coordenador do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica – GITE da Embrapa -, Evaristo Eduardo de Miranda, doutor em Ecologia pela Universidade de Montpellier (França), autor de ampla obra sobre Ecologia e Meio Ambiente e também autor de análises sobre o mundo da crença religiosa – em livros como “O Íntimo e o Infinito” e “Vá entender esses católicos” – analisará a encíclica “Laudato Si” do Papa Francisco, em Curitiba. Será no dia 12 der agosto, no Studium Theologicum, Praça Ouvidor Pardinho, às 20 horas.
A promoção é da Diretoria Comunitária do Studium Theologicum (a cargo do padre Ricardo Hoepers) e do Instituto Ciência e Fé de Curitiba, que este ano celebra seus 20 anos de existência, e do qual Evaristo é diretor.
A conferência será aberta a qualquer interessado.
2 – TOM CRÍTICO
Na sua ampla análise, Evaristo adotará o tom que o caracteriza: crítico, analítico. O fato de ser católico de ativa presença na Igreja – muitas vezes assessorando setores da CNBB – não lhe retira a capacidade de um exame profundo. ‘Jamais iconoclástico’, como ele mesmo diz.
Num trecho da conferência ele assinalará: “Tem gente que não leu e gostou. Outros não leram e não gostaram. Sobre um documento que coloca muitos questionamentos, cabem algumas questões pouco lembradas.
Ciente da complexidade do tema abordado, o Papa Francisco reitera na Laudato Si:
“Há discussões sobre problemas relativos ao meio ambiente, onde é difícil chegar a um consenso. Repito uma vez mais que a Igreja não pretende definir as questões científicas nem se substituir à política, mas convido a um debate honesto e transparente, para que as necessidades particulares ou as ideologias não lesem o bem comum. ” Também mostrará Evaristo que o papa deixa de lado o “Nós” majestático característico dos pronunciamentos pontifícios.
4 – CRENTES E NÃO CRENTES
Lembrando que Francisco dirige-se aos crentes (judeus, muçulmanos…) e aos não crentes para falar à humanidade. Evaristo observará:
“O Papa evoca a responsabilidade de todos em gerir a terra como a nossa casa comum. Ele defende um crescimento econômico com temperança e sobriedade, fundado na mudança de comportamentos. ”
Evaristo Eduardo de Miranda questiona se as sociedades podem ser geridas por consenso? Existe alguma nação funcionando por consenso?
E pergunta, como quem disseca a encíclica: “Quais ideologias lesam o bem comum? Quem pode identificá-las? Qual a diferença entre necessidades termo da encíclica) e interesses (termo na mídia) particulares na temática ambiental”.
5 – EFEITOS TÓXICOS
Evaristo tem registrado sua opinião: “Ao associar o uso de insumos modernos na agricultura apenas a seus possíveis efeitos tóxicos, a encíclica deixa de observar a segurança alimentar conquistada por recordes de produção. Assim como os ganhos de qualidade (nutritiva e sanitária, e à queda no preço dos alimentos que esses mesmos insumos, frutos de ciência e tecnologia, permitiram obter beneficiando, sobretudo, os mais pobres. ”
6 – CRESCIMENTO
O olhar do pesquisador e agrônomo é aguçado, nesse aspecto do documento.
Ao lembrar que a encíclica assegura que é prioridade aos países pobres a erradicação da miséria e o desenvolvimento social dos seus habitantes Evaristo indaga: “Como atingir esses objetivos sem crescimento econômico e novas técnicas e tecnologias? Por consenso? ”
Lembra que o Papa Paulo VI já evocara o tema ambiental, em 1971, na Pacem in terris.
7 – VASTA OBRA
Dentre as obras mais significativas de Evaristo estão os livros, em português: A Arte do Olhar – Mata Atlântica (2012).Jaguar. O rei das Américas (2010).Embrapa. Monitoramento por Satélite – 20 anos (2009).
• Quando o Amazonas corria para o Pacífico, uma história desconhecida da Amazônia (2007). Natureza Brasileira em Detalhe21 (2006). O Descobrimento da Biodiversidade – A Ecologia de Índios, Jesuítas e Leigos no Século XVI (2004). A Sacralidade das Águas Corporais (2004). Animais Interiores – nadadores e rastejantes (2004).
• Natureza, conservação e cultura; ensaio sobre a relação do homem com a natureza no Brasil (2003). A Ecologia’ (1995).
• No exterior, Evaristo publicou: La découverte de la biodiversité (2008), Francês. Il Corpo – Territorio del sacro (2002), Italiano. Farisei Nostri Maestri – Un pregiudizio da superare (2001), Italiano. Sages Pharisiens – Réparer une Injustice (2001), Francês. Acqua, Soffio e Luce – Riflessioni sui Simboli del Battesimo (1999), Italiano. Essai sur les déséquilibres écologiques et agricoles en zone tropicale semi-aride: le cas de la région de Maradi au Niger (1980), Francês.

