quinta-feira, 30 julho, 2026
HomeMemorialESPECIALISTAS DEFENDEM CRIAÇÃO DE ESTRUTURA PARA ADOÇÃO DA VACINA DA PFIZER NO...

ESPECIALISTAS DEFENDEM CRIAÇÃO DE ESTRUTURA PARA ADOÇÃO DA VACINA DA PFIZER NO BRASIL

Vecina Neto. Foto: divulgação FGV

(Do O Globo)

O desafio logístico para a vacina contra a Covid-19 da Pfizer, que necessita de conservação a -75ºC, é comparável, segundo especialistas, às dificuldades para obtenção de respiradores no começo da pandemia.

Este foi um dos motivos apontados pelo governo federal para não priorizar a compra do imunizante. No entanto, como naquela vez, é possível equacionar esta logística, com planejamento, investimento e prioridade política, aproveitando as brechas que a própria fabricante dá no transporte e armazenamento das vacinas, e incentivando a fabricação de super refrigeradores.

REINO UNIDO

Na última quarta-feira o Reino Unido se tornou o primeiro país ocidental a aprovar o imunizante contra a Covid-19 e a anunciar o início da vacinação em massa na próxima semana. O Brasil, no entanto, não fechou acordo com o laboratório, que estabeleceu parcerias com, entre outros, México, Chile e Costa Rica. —

Nenhum país tinha uma estrutura pronta para receber e distribuir vacinas a -70ºC. Mas com planejamento é possível — ressalta Gonzalo Vecina Neto, sanitarista da USP e fundador da Anvisa. — Se a Pfizer oferecer ao Brasil 50 milhões, 100 milhões de doses, claro que será possível resolver a logística. É complexo, mas todos os países estão fazendo.

Vecina Neto afirma que tudo depende dos detalhes que ainda não foram esclarecidos. Não se sabe, por exemplo, se o tempo de transporte, possivelmente em contêineres, entre a fábrica e o Brasil, contariam nos 15 dias em que o imunizante poderia ser armazenado em gelo seco. O sanitarista lembra ainda que mesmo a produção de gelo seco não é algo trivial, mas possível de se fazer.

JOGANDO FORA

Para ele, o Ministério da Saúde está jogando fora algumas soluções pelo fato de a pasta ter se tornado “um órgão burocrático, sem condições de tomar decisões políticas”. Gonzalo Neto considera que o ministério não “negociou direito” com os grandes laboratórios. E que “a única coisa que eles não sabem descartar é a hidroxicloroquina”:
— A questão toda é que o debate da vacina está politizado e ideologizado. Do ponto de vista técnico, o país precisava estar conversando com todos os fabricantes, ver opções. Uma coisa é a Pfizer entregar todas as doses em um depósito central e a distribuição ficar sob cargo do governo federal, outra é negociar com o laboratório a entrega em diversos pontos do país.

Oswaldo de Siqueira Bueno, engenheiro mecânico e consultor da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), lembra que o Brasil tem capacidade para construir os ultra freezers necessários para a vacina, além de insumos para tal.

LOGÍSTICA SIMPLES

O engenheiro afirma que, dada a prioridade do governo, soluções alternativas poderiam ser adotadas para transformar esta logística em algo mais simples.

— Um dos grandes problemas destas temperaturas ultra baixas é a umidade.

Isso pode ser minimizado se colocarmos os ultra freezers dentro de câmaras frias que j[a existem no país — diz Bueno, acrescentando que, dependendo da demanda, os equipamentos poderiam ser fornecidos em prazos entre 60 e 90 dias.

Leia Também

Leia Também