quinta-feira, 30 abril, 2026
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Especialistas criticam retirada de máscara em locais fechados, mas defendem flexibilização

Apesar do momento mais tranquilo da pandemia, cientistas questionam retirada irrestrita, como a anunciada no Rio de Janeiro

 

(Folha de S. Paulo)

O Rio de Janeiro já colocou fim no uso de máscara até mesmo em ambientes fechados. Bares e restaurantes também se preparam para uma movimentação nacional pelo fim das máscaras.

Mas especialistas ouvidos pela Folha, apesar de concordarem que vivemos um momento da pandemia de Covid ideal para flexibilização, pedem um pouco de calma e orientações sobre locais onde ainda seria importante o uso da proteção contra o coronavírus.

A cidade do Rio de Janeiro, na segunda (7), tornou-se a primeira capital no país a desobrigar o uso de máscaras em locais fechados. No estado, Duque de Caxias também liberou o uso em áreas abertas e fechadas. Em Santa Catarina, Chapecó e Rio do Sul derrubaram a obrigatoriedade.

No estado de São Paulo, ainda nesta semana a máscara deverá deixar de ser obrigatória em espaços públicos abertos, assim como ocorreu no Distrito Federal e em Belo Horizonte. O anúncio do governador João Doria (PSDB) é esperado para esta quarta-feira (9).

ESPECIALISTAS

Especialistas ouvidos pela reportagem concordam que é o momento de tirar máscaras nas ruas, considerando que a chance de contaminação por Covid em ambientes abertos e bem arejados é consideravelmente menor.

“Isso aconteceu muito mais rápido em vários outros países no mundo, países que até controlaram bem a pandemia. É um pouco surpreendente que siga vigente no Brasil até hoje”, afirma Vitor Mori, físico pesquisador na Universidade de Vermont (EUA) e membro do Observatório Covid-19 BR.

De toda forma, mesmo que o risco ao ar livre seja muito menor, ainda não é zero, diz Mori. Em locais abertos, mas com uma grande quantidade de pessoas muito próximas, conversando e cantando, por exemplo, deve-se ter atenção.

Se a liberação para áreas abertas recebe apoio, não se pode dizer o mesmo para ambientes fechados, onde surgem outras questões a serem levadas em conta.

CONCENTRAÇÃO DE PESSOAS

“Em espaço fechado eu acho complicado a liberação ampla e irrestrita do uso da máscara”, afirma o pesquisador da Universidade de Vermont. “Eu acho que alguns locais merecem um pouco mais de atenção, como transporte público, ambientes hospitalares e casas de repouso.”

Ou seja, locais onde há uma grande concentração de pessoas usualmente com pouco espaço entre si; locais em que as pessoas estão doentes (talvez até mesmo com Covid) ou apresentam problemas de saúde que as fragilizam; e locais onde se encontra uma das populações mais vulneráveis aos casos graves de Covid.

Pessoa coloca uma máscara PFF2 – 3M/Reuters

Mori, inclusive, afirma que, em locais fechado onde há maior risco, poderiam ser exigidas máscaras com maior potencial de proteção, do tipo PFF2, com explicações sobre o modo de uso e campanhas de distribuição.

“Eu acho que faltam políticas públicas que sejam focalizadas, que atuem onde o risco está”, diz.

O infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), vê como algo natural o início das flexibilizações de uso de máscaras, mas também prega cautela em ambientes de maior risco.

“Seria interessante manter a obrigatoriedade em serviços de saúde. As pessoas que vão estão doentes, então você diminui a transmissão com máscaras. As pessoas com síndrome gripal vão no serviço e podem transmitir para profissionais de saúde, para outros pacientes que estão debilitados”, exemplifica Croda.

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