
A notícia poderia ter simplesmente ficado restrita ao fato em si: a Faculdade Campo Real, de Guarapuava, ganhou o direito, concedido pelo governo federal, de estabelecer um curso de Medicina na cidade, o único, num raio de 200 quilômetros, para formação de novos médicos.
Serão 55 vagas no primeiro ano, a ser implantado em fevereiro de 2016.
O fato em si pararia por aí, não fosse o novo curso de Medicina avalizado pela UniBrasil, de Curitiba, hoje uma das mais sólidas instituições universitárias do país, controladora da Campo Real, tudo sob o olhar e a gestão de Clémerson Merlin Clève, que enfeixa as qualidades de “scholar” (UFPR e UniBrasil) e gestor educacional universitário.
2 – DESDOBRAMENTOS
O desdobramento da notícia comporta ir adiante, especialmente em face do momento não exatamente favorável ao ensino médico no Brasil. É momento que, sob críticas, de um lado, e aplausos de outros (por parte de pequenas comunidades que nunca haviam visto um médico), pois o Brasil acabou importando médicos cubanos e de outros países para o programa “Mais Médicos”. Foi uma solução muito controversa.
O momento é especialmente de questionamento da qualidade dos cursos de Medicina ministrados do país. Uma qualidade abaixo da crítica, com 60% dos formandos avaliados em 2014 pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMSP) terem sido reprovados.
Muitos dos novos médicos paulistas não conseguiram diagnosticar moléstias de fácil detecção até por leigos. E observe-se que estamos falando de médicos formados em São Paulo…

3 – RIGOR CIENTÍFICO
O professor Clémerson Merlin Clève não tem dificuldades em apontar aqueles elementos que considera serão diferenciais do Curso de Medicina de Guarapuava. O mais saliente deles, com certeza, o rigor científico que, assegura, caracterizará a formação de novos médicos.
Para tanto, a Campo Real não economizará recursos financeiros e humanos: no momento constrói edifício de 3 andares especialmente para o Curso de Medicina. Será dotado do que de há de mais atualizado em equipamentos e laboratórios, biblioteca, avanços digitais, convênios e intercâmbios.
A grande ênfase – acentua o professor Clève – será a formação de médicos com uma visão humanística. E, com isso, acredita que o curso atenderá à proposta que não é tão somente do MEC, mas especialmente da UniBrasil: Que os novos médicos de lá saiam com sólida formação social, com olhar voltado para o Brasil e suas necessidades de atendimento da saúde de seus filhos.
4 – MEDICINA DE FAMÍLIA
Para Clève, uma Medicina humanizada tem de ser obrigatoriamente gerada nos bancos universitários.
Por isso, a Medicina da Família, uma realidade da qual os cursos não podem mais se distanciar, será um dos diferenciais do Curso de Medicina da Faculdade Campo Real:
“O médico como ponto de contato com as famílias, conhecendo e visitando seus clientes, acompanhando-os em seu dia a dia, esta é a receita que está dando certo no Brasil. E que nós adotaremos”.
O fundador do Centro Universitário UniBrasil lembra que a Medicina da Família não tem “nada a ver com modismos”. E recorda que em países em que se pratica medicina de ponta, como a Inglaterra, Holanda e Espanha – ficando apenas em 3 exemplos – a Medicina da Família se impôs e hoje é indissociável da formação médica. E lá está há dezenas de anos.
As primeiras experiências com formação de médicos de família foram implantadas há 40 anos no Paraná, na UFPR, por um grupo de médicos de família de Toronto, Canadá.
5 – LINGUAGEM
Para o professor Clève, nessa linha da Medicina da Família a grande ênfase será no treinamento dos futuros médicos para uma correta relação médico-paciente.
“O entendimento da linguagem e da realidade social da clientela numa medicina social, será matéria prioritária”, esclarece Clève.
Em tom de muita confiança no estabelecimento desse novo marco de seu projeto educacional universitário, Clève sempre lembra ancestral seu, no século 19, (1860), Luiz Daniel Clève, o primeiro jornalista da Região de Guarapuava. Ele ficou conhecido sobretudo pelas campanhas em que pregava a importância de se disseminarem universidades no país. Tarefa que um de seus descendentes, Clève, agora materializa no Paraná.
– Não se trata de apenas criar mais um curso de Medicina, repete o professor Clève com certa insistência, para garantir: “Nosso propósito é chegarmos a um curso referencial de Medicina, para o que começamos pela qualidade do corpo docente”.
