sexta-feira, 17 abril, 2026
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Em Curitiba e Foz: as vantagens dos atuais prefeitos

Gustavo Fruet, Maria Victoria e Rafael Greca
Gustavo Fruet, Maria Victoria e Rafael Greca

As eleições municipais deste ano poderão até reservar surpresas. Mas nem tantas quanto as observadas em anos anteriores, quando carisma, boa narrativa de palanque, força partidária e, sobretudo, muitos e abundantes recursos privados, regavam os cofres dos comitês eleitorais. Em contribuições declaradas ou não. Especialmente as não declaradas.

Os influxos da LavaJato, e as limitações legais agora impostas – impedindo doações a campanhas por empresas – fazem uma nova realidade para outubro próximo quando no Brasil serão escolhidos os prefeitos de nossas 5 mil e tantas cidades.

E quem vai se aventurar, agora, a aplicar dinheiro não contabilizado diante dos onipresentes métodos de vigilância impostos pela PGR e PF?

As aplicações empresariais até poderão ocorrer, mas muito limitadas e com um cutelo sempre pendente sobre a cabeça dos doadores…

“O que sobra em credibilidade moral ao atual prefeito falta-lhe em obras, em planos bem alinhavados, além de críticas à composição de seus auxiliares, acusados especialmente de academicismo “distante da realidade”. Ou – o que é mais recorrente – a acusação de a Prefeitura ser “de facto” gerida pela secretária de Finanças, Eleonora…”

Diante dessa realidade, não é difícil concluir que levarão vantagem junto ao eleitorado os atuais prefeitos. Até mesmo os de performance raquítica. Esses têm a seu favor, também, o “nome feito”, além da chamada “máquina” das prefeituras e seu poder enorme de atender demandas eleitorais. E elas não têm fim.

E mais se explica como vantagem dos prefeitos que concorrerão à reeleição: com campanhas curtas, entre 40 a 45 dias, os candidatos que não sejam beneficiários da chamada “máquina” sairão em desvantagem.

EM CURITIBA

Não me lembro de uma administração municipal de Curitiba ser tão criticada negativamente, nos últimos 20 anos, quanto é a de Gustavo Fruet.

O que sobra em credibilidade moral ao atual prefeito, falta-lhe em obras, sem planos bem alinhavados, além de críticas à composição de seus auxiliares, acusados especialmente de academicismo “distante da realidade”. Ou – o que é mais recorrente – sobra a acusação de a Prefeitura ser “de facto” gerida pela secretária de Finanças, Eleonora Fruet, irmã de Gustavo.

“Mas os caminhos de MacDonald não estão de todo livres. Falta-lhe aplainar algumas arestas não simples. São pendências judiciais que Paulo enfrenta no Tribunal de Justiça-PR. Resquícios de sua administração e imbróglios da política…”

A palavra final no Palácio 29 de Março seria sempre dela.

Acusações incluem até a de que Fruet passaria muito tempo fechado em seu gabinete, distante do corpo a corpo com o munícipe. “Se non è vèro…”

O fator PT, a que Gustavo esteve ligado até recentemente, não conta a favor do prefeito Fruet numa cidade notoriamente refratária ao partido de Lula. Mas isso seria fator determinante para um eventual “não” à reeleição do filho de Maurício?

Acho que não, pois foi com o PT que Fruet se elegeu, em 2012, sob as bençãos de Lula, Dilma e todo grande staff petista local e nacional.

OS CANDIDATOS

Rafael Waldomiro Greca de Macedo, ex-prefeito, não mais empolga o eleitorado. Tentou, por 2 vezes, ser eleito deputado estadual e foi reprovado.

Não empolga também porque a memória do eleitor não apagou traição que Greca praticou contra Jaime Lerner, graças ao qual se projetou e por anos foi sustentado na política curitibana. Afinal, quando Greca escolheu ficar ao lado de seu ex-antigo inimigo (não adversário, inimigo), acabou ficando com o grande detrator de seu “pai” Lerner.

Não acho que Greca seja hoje páreo para Fruet.

O deputado Requião Filho, PMDB, muito jovem, teria poucas chances de competir com Gustavo na cidade onde o nome de seu pai, Roberto Requião, não pode ser considerado um grande eleitor. RR tem muita rejeição na cidade, indicam pesquisas e foi o que se viu na sua eleição para o Senado.

Ratinho Junior não tem densidade na terra que Lerner projetou mundialmente, para desbancar Fruet. Ele está mesmo de olho em 2018; Maria Victoria, PP, é uma das esperanças que Cida Borghetti e Ricardo Barros podem estar reservando para outubro. Contra ela, apenas – no momento – o fato de ser muito jovem. O futuro sorri a Maria Victoria, esta é a verdade.

Ney Leprevost, que parece estar pronto a todos os tipos de alianças partidárias, está sempre disposto a concorrer. Se for candidato, concorrerá na mesma faixa de Fruet, buscando votos nas sólidas classes médias alta e média que tanto identificam a cidade.

O futuro de Leprevost é ainda uma incógnita, no que toca à Prefeitura.

E há outros menos cotados de olho no trono que ainda é de Fruet. Se continuará ou não com ele, eis a grande dúvida.

Um deles, de partido nanico, mas que poderá ter muitos votos, é Jorge Bernardi, vereador pela REDE, de Marina Silva.

A mim ele tem garantido que vai concorrer. Acha que está na hora de tentar a Prefeitura da cidade à qual dedicou sua vida política.

Bernardi tem qualidade especial: é ficha muito limpa, e conhece muito de planejamento de cidade e administração pública. Faz oposição a Fruet.

FOZ DO IGUAÇU

Fontes da coluna, boa parte delas feitas nas viagens que fiz a Foz do Iguaçu, quando escrevi perfis de gente da terra para meus livros anteriores da coleção Vozes do Paraná, deram-me ontem um panorama em que aparecem 3 nomes para a eleição de outubro na cidade.

Todos muito fortes, mas dependentes ainda de condicionantes que os próximos dias poderão definir.

O primeiro dos nomes é o do atual prefeito, Reni Pereira, PSDB, que embora enfrentando certos percalços e acusações de monta, o que não é surpresa em se tratando de um detentor de mandato executivo, “pode surpreender”.

Isto é: tem chances consideráveis para eventual reeleição.

Até por que é detentor, como Fruet, de poderes sobre a chamada ‘máquina da Prefeitura’, além de Reni ter a seu favor também o fato da universalização de seu nome, realidade que ajuda muito.

O segundo – e certamente o mais forte de todos os 3 nomes citados – é Paulo MacDonald, ex-prefeito, antecessor de Reni, que conseguiu colocar Foz do Iguaçu em patamares nacionais exemplares. Tudo por conta da alta qualidade do ensino fundamental do município em sua gestão. Da mesma forma como ficou reconhecida no Brasil todo, a política de saúde da cidade, com serviços hospitalares e ambulatoriais excepcionais em qualidade.

Exemplares.

Dizem bons avaliadores que o ex-prefeito do PDT hoje seria imbatível, havendo indicativos de que teria 4 votos X 1 contra eventuais adversários.

Mas os caminhos de MacDonald não estão de todo livres. Faltam-lhe aplainar algumas arestas, não simples. São pendências judiciais que Paulo enfrenta no Tribunal de Justiça-PR. Resquícios de sua administração e imbróglios da política.

O terceiro nome – mas nem por isso o menos competitivo – é o do deputado estadual Chico Brasileiro, PSD, ex-PCdoB, que já tentou, debalde, ser prefeito de Foz. Foi reprovado no voto.

Muito atuante numa bancada outrora minúscula – ele, Luiz Carlos Martins e Ney Leprevost -, agora engordada com o desembarque de deputados do PSC liderados por Ratinho Junior, Chico Brasileiro é bem avaliado pelas pesquisas eleitorais feitas para consumo dos partidos.

Brasileiro tem a seu favor alguns fatores que favorecem candidaturas como a sua: embora sem apoio de qualquer “máquina eleitoral”, ele tem nome com grande densidade em Foz. E há quem arrisque a dizer que, com as dificuldades que poderão excluir MacDonald do pleito de outubro, a eleição ficaria restrita, de facto, a ele e a Reni Pereira.

Enfim, as cartas começam a ser postas.

Chico Brasileiro e Reni Pereira
Chico Brasileiro e Reni Pereira
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