
O jurista René Dotti é um dos personagens do livro “Encontros do Araguaia”, organizado por este colunista. Trata-se de uma obra de muitas mãos construída a partir do depoimento de personagens que fizeram a história do Paraná no século 20.
Euclides Scalco, Alvaro Dias, Jaime Lerner, João Elísio, Osmar Dias, Francisco Borsari Neto. Recentemente, Oscar Alves, genro de Ney Braga, juntou-se ao grupo de entrevistados. Há mais por vir, como Maurício Schulman.
CONTRADIÇÕES
Dotti falou à Folha de S. Paulo, na semana passada, e não poupou críticas ao andamento das investigações contra Michel Temer. “Um teatro do absurdo. Nunca vi tantas contradições e tanta falta de bom senso”. O jurista paranaense acha que a Procuradoria-Geral da República rasgou a Constituição e maculou os direitos do indivíduo ao processar o presidente e inquiri-lo, ainda que por escrito.
JOGADOS AOS LEÕES
Dotti é um homem de ideias e de confrontos. Foi advogado de jornalistas nos primeiros dias do golpe militar, em 1964, e jamais deixou de opinar sobre questões relacionadas à profissão. Quando a lei de imprensa foi engavetada, julgou-se que enterrava-se ali um entulho da ditadura. Dotti acha exatamente o contrário. Diz que a lei de imprensa protegia o jornalista do pagamento de indenizações absurdas. Jogado aos leões no código penal, profissionais de comunicação vêm encarando processos milionários. A tal ponto que se impõe, ainda que veladamente, a autocensura ou o escrutínio de seus textos por parte dos veículos de comunicação que os empregam.
OAB FOI PRECIPITADA
Críticas foram dirigidas também à Ordem dos Advogados do Brasil, onde Dotti é um dos notórios membros. Ao ser questionado como viu a decisão da entidade de pedir o impeachment de Temer, ele foi incisivo: “Precipitada. Deveria ter sido mais discutida, e não só pelo Conselho Federal, mas junto às seccionais. No impeachment de Collor, após o telefonema do Miguel Reale Junior me convidando para uma reunião, passaram-se semanas até que a OAB entendesse por apoiar”.
ARTISTAS OU OPORTUNISTAS?
Dotti vê, com olhos de advogado, o que os “artistas” veem como pantomima ao reivindicar as “Diretas Já” – uma apropriação cultural, diga-se – num país conflagrado. O jurista sabe o que isso significa. Um oportunismo de mãos dadas.
