Aroldo,

Um “muito obrigado” é, no mínimo, o que posso momentaneamente dar, em agradecimento à veiculação do meu texto sobre tropeirismo e o livro que aguarda um editor interessado. Uma divulgação dessa ordem é fundamental para podermos ampliar as fronteiras da Cultura, de um país que pouco lê, e que precisa, mais e mais, do incentivo oficial e privado.
SOBRE O PAI
Uma pequena correção: meu pai foi, de fato, multi-empresário, conduzindo, da segunda metade dos anos 1940 à primeira metade da seguinte, simultaneamente, uma indústria de casas pré-fabricadas em São Bento do Sul – a Indústria Oxford-Brasil – INBOBRA; e, em Joinville, num só endereço, a Saboaria Ypiranga e a Perfumaria Jasmim. Nesse meio tempo, enquanto Deputado Constituinte por Santa Catarina, em 1946, reeleito para um segundo mandato, até 1954, ao contrário do informado na coluna, pertenceu aos quadros do Partido Social Democrático – PSD, e não da União Democrática Nacional, a UDN.
OUTROS TEMPOS
Mas os tempos políticos eram outros, mais “limpos” e românticos, tempos em que, apesar de estarem em quadros opostos, os políticos mantinham convívios de alto nível e defendiam, acima, de tudo, não só as próprias ideologias, como – e aí está o principal – os interesses de regiões devidamente representadas na Assembleia Legislativa, em Florianópolis, ou no Congresso Nacional, que então funcionava na velha capital republicana, no Rio.
OTTO A.GUILHERME URBAN
A referência ao constituinte Otto Augusto Guilherme Urban (nome completo de meu pai) está na página 230 do livro “Partidos e Políticos de Santa Catarina”, de autoria de Carlos Alberto Silveira Lenzi – publicado pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina, em 1983.
Das 37 vagas na Assembleia Legislativa, à época, 21 cabiam ao PSD: Pedro Lopes Vieira, Rui Cesar Feuerschuet, Armando Bulos, João Ribas Ramos, Biase Faraco, Protógenes Vieira, Heitor Liberato, Gasparino Zorzi, Cid Loures Ribas, Joao Estivalet Pires, Félix Odebrecht, José Boabbaid, Antenor Tavares, Orty Machado, Antônio Dib Mussi, Antônio Varella, Otto Augusto Guilherme Urban, Alfredo Campos, Raul Schaeffer, Joaquim Pinto Arruda e Wiegand Persuhn.
LUIZ DALCANALLE
A bancada udenista contava com Max Colin, Luiz Dalcanalle, Antônio Carlos Konder Reis, Ramiro Emerenciano, Waldemar Rupp, Walter Mueller, Paulo da Luz Fontes, Antônio de Barros Llemos, Artur Mueller, Oswaldo Bulcão Vianna, Fernando Ferreira de Melo, João José de Souza Cabral e Aroldo Carneiro de Carvalho. O PTB elegeu Braz Joaquim Alves e Saulo Ramos. E o PRP, José Maria Cardoso da Veiga.
NA VELHA DESTERRO
Recordo que, criança ainda, muitas vezes acompanhei meu pai em suas idas às atividades legislativas, na velha Desterro, e muitas vezes, mesmo alheio à política, acompanhado de minha mãe, no plenário da Assembleia, assisti aos inflamados discursos na tribuna dos então parlamentares.
Detalhe: meu pai foi, com certeza, amigo de muitos deles, mesmo que lotados – como já ditos – em partidos opostos.
SOBRE A PROFISSÃO
Quanto às referências que você fez à minha vida profissional, um último adendo: além dos 10 anos de permanência na URBS, outros dez foram dedicados integralmente à Assessoria de Imprensa do IPPUC (1976/1986).
Detalhe: tenho o livro de Lenzi em minha biblioteca.
RAUL GUILHERME URBAN, jornalista, estudioso de mobilidade urbana, Curitiba

