Prezado Aroldo.

A propósito da Opinião de Valor, sob a ótica, muito abrangente, por sinal, do professor Cesar Kuzma, sobre a conjuntura política do país, publicado em sua coluna, na edição do último dia18, eu me permitiria fazer algumas observações.
1-Respeitando seu ponto de vista, discordo quando ele fala em “antipetismo agressivo e violento” por ser “mais perigoso e danoso à nossa jovem democracia”. Jovem democracia, mas que vive a trama dos meios e os fins do pacto firmado a partir do Foro de São Paulo, criado em 1990 por Fidel Castro e Luiz Inácio da Silva, os teóricos da conspiração, visando implantar o socialismo no continente latino-americano. Todas as manifestações, inclusive as de rua do último dia 13, cumpriram um ritual perfeitamente ajeitado e ajustado aos preceitos democráticos. Sem cores partidárias, ao contrário das manifestações de apoio ao Governo, inclusive as ocorridas na sexta-feira passada, dia 18.
2-Ninguém quer fazer “justiça com as próprias mãos”, como escreveu o professor Kusma. O que se quer é o restabelecimento da ordem política, administrativa e econômica, e salvaguardar o país do caos que está à vista e da avassaladora rapinagem que se instalou no Brasil, a partir, principalmente, do “desmonte” da Petrobrás, com sérias, para não dizer dramáticas, consequências aos patrimônios financeiros e à vida dos cidadãos brasileiros. Nas manifestações que temos visto, que eu saiba, não se ouviu ninguém gritar as palavras de ordem ditas por Che Guevara, em 1965: “Até a vitória sempre. Pátria ou morte”. Ao contrário, processou-se dentro da lei e da ordem, como bem recomenda Sun Tzu em “A Arte da Guerra”, e para quem “a habilidade suprema não consiste em ganhar cem batalhas, mas sim em vencer o inimigo sem combater”.
3-O ambiente caótico e a dramática situação em que o país vive, nos faz lembrar “1984”, de George Orwel, e o hierarca do Partido dominante na Oceania, O’Brien, para quem “não estamos interessados no bem dos outros e só nos interessa o poder em si… Só o poder pelo poder, poder puro”, como quando determinada classe de cidadãos coloca o Estado permanentemente a seu serviço para se manter no poder.
4-Nicolau Maquiavel, ao escrever “O Príncipe”, um monumento de conselhos perversos, segundo Benjamin Wiker (in “10 Livros que Estragaram o Mundo”) estava errado quando escreveu que “o povo é apenas matéria plástica nas mãos do príncipe”. Não é bem assim. A voz do povo, seja nas ruas, seja nas redes sociais, tem um significado. É a fé – como diz J.J.Rousseau, “das multidões no seu futuro e nos seus direitos, despertando no homem o orgulho de ser cidadão”. A vontade geral é indestrutível e “quando um povo obrigado a obedecer, obedece, faz bem; assim como quando pode sacudir seu jugo, (quando o vil interesse se impõe perante o bem público) e o sacode, age ainda melhor”, escreveu Rousseau.
É o meu ponto de vista.
ZAIR SCHUSTER (foto), jornalista, pesquisador em História.
Curitiba
(correspondências para a coluna: aroldo@cienciaefe.org.br)
