terça-feira, 24 fevereiro, 2026
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Dos Leitores: a surpreendente cura de Paco…

Francisco Souto Neto com o chihauhua Paco Ramirez
Francisco Souto Neto com o chihauhua Paco Ramirez

Caro amigo Prof. Aroldo Murá!

Recebi alta do hospital onde estive internado para a ablação da vesícula biliar, e agora já estou em casa convalescente. Por haver aderência ao fígado, o pós-operatório resultou um pouco mais dolorido do que o habitual. Mas hoje já estou conseguindo me posicionar em frente ao computador e creio que conseguirei “conversar” com o senhor.

Apenas por curiosidade, ou justamente porque a curiosidade é uma das molas que movem jornalistas meticulosos como nós, gostaria de contar-lhe um fato estranhíssimo ocorrido com meu chihuahua Paco Ramirez, que está com mais de 12 anos, fato este que foi para os anais da Medicina Veterinária. A história é esta:

… COMO TUDO COMEÇOU…

Na 2ª quinzena de maio, enquanto fazia os exames para se descobrir a origem de uma súbita catarata no olho esquerdo do meu chihuahua, o outro olho que estava perfeito foi tomado por violenta infecção bacteriana, tão intensa que lhe rompeu a córnea com início de perda do humor vítreo. Foi marcada para o dia seguinte e extirpação do olho. Graças a um fenômeno natural ocorrido durante aquela madrugada (estive acordado a noite toda e testemunhei o ocorrido), a íris do animalzinho deslocou-se para o local da ruptura e serviu como uma espécie de tampa para deter o vazamento. Na manhã seguinte médico, agora na tentativa de salvar o globo ocular (mas não a visão), fez-lhe um “flap”, que é uma cirurgia em que a pálpebra nictitante do cão (ou 3ª pálpebra que todos os cães têm) é costurada temporariamente à pálpebra superior, assim mantendo fechado e isolando o olho para tentar posteriormente sua regeneração com o transplante de uma membrana amniótica de cadela ou gata. Durante dezesseis dias eu me isolei com o Paco Ramirez na sala da biblioteca, donde tirei os móveis para que o animal, então cego, pudesse se locomover sem machucar-se, e durante esse tempo dormi com ele no chão sobre um colchonete. Ao serem retirados os pontos, o olho estava ainda instável, com uma bolha toda irregular na superfície da córnea. No começo o médico atendeu-o a cada 24 horas, depois de 48 em 48 horas.

…HÁ MAIS MISTÉRIOS ENTRE CÉU E TERRA…

Para encurtar a história: misteriosamente o olho em tratamento criou uma sinéquia, que é um apêndice na forma de um mini-tornado, projetando-se da área do humor vítreo como uma coluna que se expandiu até ao ponto da ruptura da córnea, deste modo tornando-a mais resistente. E o mais impressionante: a visão voltou àquele olho que estivera condenado. Os méritos são do professor de oftalmologia veterinária Dr. Kavisnki, mas não há como não citar o nosso amigo William Shakespeare: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia”.

…AS CRÔNICAS, O VETERINÁRIO

Vou lhe enviar duas crônicas sobrepostas. A primeira delas, eu a escrevi quando descobri que existiam veterinários oftalmologistas que já estava operando cães com catarata e com colocação de lentes intraoculares. Essa crônica, que publiquei em novembro de 2010 (“Oculistas para cachorros?

Não! Oftalmologistas para cães”) está no link abaixo. Após sua transcrição, o sr. encontrará outra crônica (“40 anos depois, [na mesma clínica] o chihuahua Paco Ramirez e o médico veterinário Dr. Luimar Carlos Kavinski”), e abaixo da transcrição do texto estão as fotografias do meu chihuahua em várias fases do seu tratamento, mostrando os aspectos da evolução da sua inacreditável cura. Vale a pena o sr. clicar sobre as fotos, para poder apreciar ampliados os detalhes do olho do Paco. https://soutoneto.wordpress.com/2013/01/27/103/

(correspondências para a coluna: aroldo@cienciaefe.org.br)

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