
O professor de medicina veterinária da Universidade Federal do Paraná, Fernando Ibañez, está conduzindo, juntamente com o mestrando Itallo Freitas, um estudo com objetivo de desenvolver uma forma mais acessível para o diagnóstico precoce de displasia coxo femoral em cães. A doença hereditária, que atinge cães e gatos, pode causar lesões tão graves que impedem os animais de se locomover nas fases mais avançadas.
Fernando explica que a doença se caracteriza por “uma flacidez exacerbada dos ligamentos da articulação coxo femoral” (o fêmur – coxa, na pelve – bacia). Essa flacidez dos ligamentos causa instabilidade da articulação durante o desenvolvimento, que resulta em processo inflamatório crônico, deformação das partes ósseas que não estão bem articuladas e artrose precoce.
SEM TRATAMENTO
O preocupante, segundo ele, é que não existe tratamento para essa doença, visto que é genética, mas existem várias formas de conferir boa qualidade de vida aos animais que têm a enfermidade, especialmente quando diagnosticada precocemente.
“Quando diagnosticada depois que o animal já acabou de crescer, os tratamentos podem ser clínicos ou cirúrgicos; os cirúrgicos geralmente são paliativos ou bastante caros e invasivos”. Ressalta o professor que, quando diagnosticada precocemente (na infância), existem alternativas de tratamento para a doença; que também são cirúrgicas, mas mais simples e “com excelentes resultados”.
O ESTUDO
“O objetivo de nosso estudo é desenvolver um método mais simples para a identificação de filhotes portadores de displasia e aplicação da cirurgia na infância para prevenir o desenvolvimento de artrose precoce nesses animais”, destaca o professor.
O processo de seleção dos animais será realizado até maio deste ano.
Poderão participar do estudo filhotes de raças grandes ou gigantes com até três meses de idade.
Depois de selecionados, os cães passarão por uma série de exames radiográficos e de termografia. Os animais positivos para displasia serão encaminhados para cirurgia de sinfisiodese. A cirurgia consiste em promover o fechamento de uma das linhas de crescimento da pelve que vai melhorar a adaptação da articulação. O resultado final deverá ser medido depois de oito meses da cirurgia.
