Entre Espaços por Sumi Costa – No Hotel Mabu Curitiba Business, uma suíte do 10º andar deixou de ser apenas um espaço de hospedagem para assumir um novo papel durante o Festival de Curitiba. Em 2026, o ambiente foi completamente transformado para abrigar a Sala de Imprensa do evento — e o resultado está longe do óbvio: um espaço que mistura a atmosfera intimista de um quarto com a energia vibrante dos bastidores do teatro.
Assinado pelo escritório Jordana Fraga ID, o projeto apostou em uma composição leve, colorida e cheia de personalidade. Tons vibrantes tomam conta da paleta, combinados a elementos gráficos marcantes que dão ritmo ao ambiente. O painel central, desenvolvido pela Adsive Decor, funciona como ponto focal, enquanto os desenhos de pinhão de Alexandra Justi trazem uma camada afetiva e regional, conectando o espaço à identidade curitibana.

O mobiliário contemporâneo da Office Lab reforça o clima descontraído, com peças coloridas que dialogam entre si sem pesar. Texturas entram em cena com o papel de parede líquido sustentável da EcoDecor, os tapetes da Cia dos Tapetes e as cerâmicas autorais da Alba Cerâmica Autoral, criando uma atmosfera sensorial e acolhedora. Detalhes como os objetos da Casa Adentro e as soluções funcionais, persianas da Capri Decor e móveis planejados da Premier Stimmo — completam o cenário com equilíbrio entre estética e praticidade.

Mais do que bonito, o espaço foi pensado para funcionar. A iluminação direcionada valoriza entrevistas e registros, enquanto a ambientação ganha ainda mais significado com a homenagem a Teuda Bara e Maurício Vogue, presentes em fotos ampliadas e figurinos integrados à decoração. O resultado é uma suíte que se reinventa: um lugar onde design, memória e cultura dividem o mesmo palco — e mostram que, no Festival, até um quarto pode virar cena.
Floresta do Futuro, verde que vira legado em Curitiba

Curitiba vai ganhar um novo respiro em meio à cidade — e não é pouca coisa. Um projeto da Paysage Corpal prevê a doação de uma área verde com mais de 23 mil m², batizada de “Floresta do Futuro”, na região dos Altos do Parque Barreirinha. A área será preservada, ampliada e integrada ao entorno como parte do condomínio horizontal Lockwood, criando um espaço natural acessível e conectado com a vida urbana.
A proposta vai além de manter o verde existente: inclui o plantio de mais de 500 mudas nativas da Mata Atlântica, reforçando a biodiversidade e o corredor ecológico da região. Com terrenos entre 152 m² e 383,71 m², o empreendimento terá arquitetura do escritório Jayme Bernardo Arquitetos e paisagismo assinado por Daniel Dillenburg, em um projeto que combina moradia e natureza de forma leve — e cada vez mais desejada.
Alto padrão no digital. Menos impulso, mais estratégia

No mercado imobiliário de alto padrão, o comportamento do cliente no digital mudou — e elevou o nível do jogo. Mais informado e criterioso, esse público não se conecta com promessas rasas ou conteúdos genéricos. Ele pesquisa, compara, cruza dados e espera uma jornada de compra consistente, que una informação de qualidade com experiências bem pensadas. Estudos de consultorias como Deloitte e McKinsey & Company reforçam esse movimento: decisões de alto valor passam por análises profundas, combinando o online com o presencial e tornando o processo mais longo — e muito menos impulsivo.
Nesse cenário, o marketing também precisa evoluir. Segundo Ale Pinheiro, da Pine, campanhas voltadas ao público premium exigem precisão, personalização e conteúdo relevante de verdade. Mais do que imagens bonitas, entram na conta detalhes técnicos, usabilidade dos espaços, conforto, segurança e até o valor do metro quadrado por região. É um consumidor que já chega preparado, muitas vezes depois de uma jornada silenciosa de pesquisa. Por isso, estratégias focadas apenas em volume de leads perdem força — o que faz diferença mesmo é entregar informação consistente, gerar confiança e mostrar valor de forma clara ao longo de todo o percurso.
Curitiba acelera na regulamentação para carregamento de carros elétricos em condominios

A mobilidade elétrica já chegou às garagens — e agora começa a ganhar regras mais claras em Curitiba. Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal propõe garantir ao morador o direito de instalar, por conta própria, pontos de recarga para veículos elétricos em vagas privativas, desde que respeitados critérios técnicos e de segurança. De autoria do vereador Renan Ceschin, o texto determina que a instalação siga normas da concessionária e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com execução por profissional habilitado e emissão de ART ou RRT, além de impedir negativas arbitrárias por parte dos condomínios.
A proposta acompanha um movimento que já avançou em São Paulo, onde a legislação garante esse direito e incentiva novos empreendimentos a se prepararem para a demanda crescente. Na prática, a ideia é equilibrar o direito individual com a segurança coletiva: o condomínio pode estabelecer regras operacionais, mas não barrar a instalação sem justificativa técnica. Para especialistas, esse tipo de regulamentação reduz conflitos, traz previsibilidade para síndicos e moradores e coloca a cidade em sintonia com uma transformação que já é realidade — e só tende a acelerar.
Minha Casa, Minha Vida ganha novo fôlego

As mudanças recentes no Minha Casa, Minha Vida prometem mexer com o ritmo do mercado imobiliário em Curitiba. Com a ampliação do teto dos imóveis para até R$ 600 mil e da renda familiar para até R$ 13 mil, o programa passa a incluir uma fatia maior da classe média, que antes ficava fora das melhores condições de financiamento. Na prática, isso reposiciona o MCMV dentro de uma cidade onde o valor do metro quadrado segue em alta, aproximando o programa da realidade local.
Os números ajudam a explicar esse movimento. Levantamento da Loft aponta que Curitiba alcançou preço médio de R$ 9.148 por metro quadrado, após valorização significativa recente. Segundo Ilso Gonçalves, da JBA Imóveis e do Secovi-PR, o novo teto conversa diretamente com esse cenário: com imóveis usados girando na faixa de R$ 477 mil, o programa tende a ganhar espaço tanto no mercado de usados quanto nos lançamentos — algo que ainda era tímido na capital, onde o MCMV representou apenas uma pequena parcela dos novos projetos em 2025, de acordo com a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná.
A expectativa agora é de destravar novos empreendimentos e diversificar o perfil dos lançamentos na cidade. Regiões como Santa Cândida, Abranches e Barreirinha, além de bairros do eixo sul, devem sentir esse movimento, especialmente na Faixa 3, que também teve o limite ampliado. Com isso, o programa tende não só a crescer em volume, mas também em qualidade: mais áreas de lazer, soluções de segurança e projetos mais completos entram no radar, acompanhando um público que busca mais do que preço — quer conforto, estrutura e qualidade de vida.

Pautas e contatos colunaentreespacos@gmail.com
*Formada em Relações Públicas e Jornalismo pela UFPR, Sumi Costa atua em Assessoria de Imprensa desde 1997. Com trajetória consolidada na comunicação institucional e produção de conteúdo, assina esta coluna voltada a projetos criativos, novos produtos, tendências do morar e os bastidores do setor imobiliário.
