
Enquanto economistas e o comércio em geral acreditam em aumento de vendas de presentes, no Dia da Criança, que se comemora nesta sexta-feira 12 – data que coincide com o da Padroeira do Brasil -, nada como voltar no tempo para redescobrir alguns valores já esquecidos por aqueles que hoje, aos 50 ou 60 anos ou mais, têm nos netos a imagem de um novo tempo.
Os tempos são outros, o dinheiro anda curto, os presentes custam caro, mas uma viagem pelo tempo mostra que Curitiba, num passado nem tão distante, oferecia alternativas interessantes para presentear – numa época em que as roupas vinham acompanhadas de algum brinquedo nos pacotes que alegravam os pequenos e a geração adolescente pré-tecnologia.
TRÊS ENDEREÇOS
Ainda na década de 1960, para não irmos muito longe, as crianças curitibanas eram presenteadas geralmente com roupas compradas em três endereços da moda infantil que marcaram época: as lojas Joclena com suas saias godê feitos com organdi suíço, Casa Mazer – com predomínio de venda de blusinhas, ou a Maison Blanche, especializada na venda de terninhos de marinheiro. À época não existia na cidade uma loja especializada na venda de brinquedos – menos ainda quando educativos e ecológicos. Só mais tarde, e por breve tempo, a cidade acolheu uma loja com a razão de social de Brincalhão, de curta sobrevivência.
CALÇAS CURTAS
Se o presente deste 12 de outubro inclui jogos eletrônicos, games, bonecas falantes, até mesmo telefones celulares ou parafernálias afins, na então cidade calma às vésperas de uma profunda transformação urbana – que ocorre a partir dos anos 1970 -, os guris usavam calças curtas com vinco; as meninas, vestidos com bordados ou saias plissadas. Camisetas e calças jeans sequer faziam parte do guarda-roupas infantil, bem como os tênis, numa época em que os calçados eram em sua maior parte de couro. A loja e calçados infantil em voga tinha nome: Cirandinha. Ficava ali na esquina das ruas Ébano Pereira e Cândido Lopes.
MODERNIDADE
Enquanto os três endereços da moda infantil antes citados hoje estão no baú da memória dos mais velhos, uma outra marca – Pixote -, que acabou mantendo abertas as portas de várias lojas nos anos 1990 até o raiar deste século, também deixou sua marca, seguida por outra, igualmente recém-extinta – a rede Xiquita.
Mudou a moda, mudaram os hábitos. As inocentes roupas infantis de 50 anos atrás ganharam novas formas e desenhos, acabando por globalizar-se, seguindo padrões internacionais. Curitiba, a exemplo do resto do país, deixou de abrir lojas específicas de trajes infanto-juvenis nem tradicionais endereços centrais. Esse tipo de comércio há muito preferiu a segurança dos shopping centers, ofertando uma variedade infinita de produtos que ultrapassa os limites dos trajes em si, abarcando os acessórios, brinquedos, jogos e complementos. Sinal dos tempos.
