
Desembargador aposentado TJ/PR, ex-professor da Direito da PUC-PR, Antenor Demeterco sempre foi reconhecido como um profundo conhecedor de História, particularmente História do Século 20. E nesse capítulo, o século 20, Demeterco concentrou fortemente no período pré e o imediatamente pós II Grande Guerra.
Assim, não me surpreende mais uma manifestação do pesquisador, retificando – em carta enviada ao jornalista da Folha de São Paulo, Elio Gaspari – um lapso cometido pelo periodista. Trata-se do “verdadeiro Pacto de Munique” que, disse Demeterco, deu-se em 1938 e não em 1939.
Leia a carta do desembargador emérito:
A VERDADE
“Meu caro Elio Gaspari:
A título de mera colaboração comunico-lhe que foi cometido um lapso em seu artigo publicado recentemente, nesse mês de fevereiro corrente.
O verdadeiro “pacto de Munique” realizado em 29 de setembro de 1938, envolveu a Alemanha e a Itália ditatoriais e as duas democracias, França e Reino Unido.
E dele resultou o fim da Tchecoslováquia como Estado, e uma das piores lições da História: a covardia de democracias diante da força.
O pacto referido em seu escrito foi o festim totalitário celebrado em 23 de agosto de 1939 entre Hitler e Stalin, assinado pelos ministros do exterior Molotov e Ribbentrop.
Baseado nele a Polônia foi dividida em duas partes, abocanhadas pelos signatários.
E com a certeza que não combateria em duas frentes, Hitler deu início à Segunda Guerra Mundial com as bênçãos de Stalin.
O chamado pacto nazi-soviético para a Rússia vige em parte até hoje.
Este país não abriu mão de seu quinhão no estupro da Polônia, pois acabou entre os vitoriosos da guerra.
O criminoso ficou com o produto de crime.
Convém lembrar que Hitler, ditador sem limites, violou ambos os tratados que assinou, com as democracias e o com os comunistas.
Cordialmente.
Curitiba 20 de fevereiro de 2016.
Antenor Demeterco Júnior”
