segunda-feira, 23 fevereiro, 2026
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“Decidir antes da reunião”, eis a lição de Tancredo Neves

Miguel Krigsner e Tancredo Neves
Miguel Krigsner e Tancredo Neves

Observar uma frase do sábio Tancredo Neves – “primeiro a gente decide, depois faz a reunião”, poderia ter evitado incômodos e perda de tempos com os quais se defrontou o empresário Miguel Krigsner na criação da Fundação O Boticário de Preservação da Natureza: os distribuidores de O Boticário não estavam interessados em preservação da natureza, mas em vender perfumes, como Styleto e Acqua Fresca.

E deixaram isso bem claro na reunião que tiveram com Krigsner e o homem de marketing Eloi Zanetti, que concebeu a ideia da Fundação, plenamente aceita por Miguel.

E é de Eloi Zanetti o depoimento a seguir, inspirado, diz, na frase de Tancredo, e que lhe veio à baila ao ler neste espaço um texto do desembargador Antenor Demeterco Junior:

LIÇÃO DE ESTADISTA

“Aroldo,

Aproveitando os comentários do Desembargador Antenor Demeterco Junior (publicados na coluna), com respeito a Tancredo Neves, tenho a dizer que aprendi uma grande lição com este estadista – é a frase acima, isto é, nunca devemos ir a uma reunião sem antes ter combinado com alguns dos participantes, principalmente com os formadores de opinião, sobre o que iremos apresentar. Minha experiência de anos trabalhando com comunicação e marketing diz: vender um conceito revolucionário dentro da empresa ou instituição que trabalhamos é mais difícil do que vender fora dela.

Fatores como incompreensão, comodismo, ciúme e inveja travam sugestões criativas e inovadores e, muitas vezes, nem sabemos onde a rejeição se esconde e qual o seu motivo.

2 – COOPTAR PARA A CAUSA

Por isso é importante conseguir adeptos para as nossas ideias antes de apresentá-las. Uma vez ciente do valor do novo conceito, devemos apresentá-lo a várias pessoas, ouvir suas opiniões e reestruturá-lo se preciso for e, só então, submetê-lo à opinião do grupo. Ao apresentarmos um novo projeto de antemão para alguns, não só valorizamos suas opiniões como os cooptamos para a sua defesa na hora da reunião.

Fundação O Boticário
Fundação O Boticário

3 – FUNDAÇÃO O BOTICÁRIO

Quando pensamos na criação da Fundação Boticário de Proteção à Natureza, numa época que mal se falava em ecologia e meio ambiente, o presidente da empresa, Miguel Krigsner, já havia aprovado o conceito, porém ele precisava ser submetido a um grupo de 23 distribuidores, que na hora da reunião passaram a detonar a ideia, alguns diziam: “… proteger baleias, macacos e florestas … que bobagem é esta. Eu quero é vender Styleto e Acqua Fresca” – marcas dos perfumes mais vendidos na ocasião.

4 – DEFESA DA MARCA

Essas pessoas não entendiam que trabalhar a favor da natureza e do meio ambiente eram ações subjetivas para a defesa da imagem da marca. Às duras penas a criação da Fundação Boticário foi aprovada e, tempos depois, li a frase acima, atribuída a Tancredo Neves, se tivesse lido-a antes, talvez a aprovação do conceito proteção à natureza pela empresa teria sido mais fácil, conclui Eloi Zanetti.”

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